OLHAR, OUVIR E ESCREVER: POR UMA ETNOGRAFIA DOS DESLOCAMENTOS INDÍGENAS EM UMA ALDEIA MBYÁ GUARANI NO LITORAL DO PARANÁ
Resumo
O presente artigo apresenta alguns resultados parciais derivados do projeto de pesquisa “Tekoa porã Guaviraty: estudo sobre a constituição de uma aldeia indígena Mbyá Guarani no município de Pontal do Paraná”. O objetivo do referido projeto de pesquisa foi o de desenvolver um estudo antropológico de cunho etnográfico em torno de uma aldeia indígena da população indígena Mbyá Guarani localizada em uma extensão territorial de Mata Atlântica no município de Pontal do Paraná, área geográfica de ocupação tradicional do povo Guarani. A aldeia Guaviraty compreende uma população móvel de cinquenta indivíduos, entre crianças, adolescentes, adultos e idosos, os quais apresentam algum deslocamento como uma característica intrínseca à organização familiar e de parentesco comum à etnia, o que afeta a quantidade exata de indivíduos moradores da aldeia, já que seus deslocamentos são recorrentes e alcançam outros Estados do Sudeste e Sul do Brasil, bem como alguns países da América do Sul, tais como Argentina, Paraguai e Uruguai. Para tanto, desenvolvemos uma etnografia que delineou em forma narrativa, descritiva e analítica o período de vivência e o trabalho de campo desenvolvido entre os indígenas da aldeia como unidade de análise e abordagem metodológica para o desenvolvimento do presente trabalho. Os resultados parciais obtidos com o projeto de pesquisa e ora apresentados neste artigo apontam para o desenvolvimento de uma compreensão em torno dos motivos que levaram à abertura da aldeia Guaviraty há seis anos, no primeiro semestre de 2012, bem como as motivações que têm norteado a permanência dos indígenas naquela aldeia, a despeito das adversidades por que têm passado e, principalmente, pela localização da aldeia no centro de uma extensão de Mata Atlântica alvo de intensa especulação imobiliária e onde atores empresariais e segmentos específicos da gestão pública local e estadual pretendem inaugurar uma rodovia de acesso ao futuro porto do município de Pontal do Paraná, pelo que percebemos tais circunstâncias como problematizações à permanência e aos projetos de vida da população Mbyá Guarani na aldeia Guaviraty.
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