Recebido em: 27/04/2025
Aprovado em: 10/06/2025
Publicado em: 18/07/2025
JUSTIÇA
SOCIAL, DEMOCRACIA E EDUCAÇÃO NA FILOSOFIA DE MARTHA NUSSBAUM
SOCIAL JUSTICE, DEMOCRACY AND EDUCATION IN THE PHILOSOPHY OF MARTHA
NUSSBAUM
SOCIA
JUSTECO, DEMOKRATIO KAJ EDUKADO EN LA FILOZOFIO DE MARTHA NUSSBAUM
Hans Magno Alves Ramos[22]
Thais dos Reis Schliewe[23]
Resumo
Este
artigo propõe uma leitura integradora de elementos da filosofia política e da
filosofia da educação de Martha Nussbaum, com ênfase
na articulação entre justiça social, democracia e educação. A partir do enfoque
das capacidades, conceito central na teoria da justiça da autora, argumenta-se
que a democracia é um regime político exigente da educação, de forma abrangente
e qualificada, e que a educação é condição indispensável para a efetivação de
uma vida digna e do exercício da cidadania em sociedades democráticas. O texto
mostra como a lista de capacidades proposta por Nussbaum
oferece critérios para avaliar a justiça social e como diversas dessas
capacidades dependem diretamente de uma educação abrangente, que inclua as
humanidades como componente central do currículo. Assim os elementos de uma
educação para a democracia, conforme concebida por Nussbaum,
são relacionados aos bens e direitos fundamentais que, para ela, constituem os
parâmetros para uma sociedade justa. Nesse contexto, discute-se a necessidade
de uma democracia deliberativa e reflexiva, sustentada por cidadãos capazes de
argumentação, empatia, pensamento crítico e participação ativa. A educação,
nesse sentido, é compreendida não como preparação para o mercado, mas como o
ordenamento de ações de desenvolvimento das potencialidades humanas, da razão
prática e da sensibilidade ética. Verifica-se, então, que a educação é uma
“capacidade fértil”, isto é, aquela que torna possível a realização de outras
capacidades, sendo, portanto, pilar fundamental tanto da justiça quanto da
democracia.
Palavras-chave: Capacidades. Dignidade humana. Educação.
Democracia.
Abstract
This
article proposes an integrative reading of elements from Martha Nussbaum’s
political philosophy and philosophy of education, emphasizing the connection
between social justice, democracy, and education. Based on the capabilities
approach—a central concept in Nussbaum’s theory of justice—it is argued that
democracy is a political regime that demands a comprehensive and ethically
oriented education, and that education is an indispensable condition for the
realization of a dignified life and active citizenship in democratic societies.
The text shows how Nussbaum’s list of capabilities offers criteria for
assessing social justice, and how several of these capabilities depend directly
on a broad-based education that includes the humanities as a central component
of the curriculum. Thus, the elements of an education for democracy, as
conceived by Nussbaum, are linked to the fundamental goods and rights that, for
her, define the parameters of a just society. In this context, the article
discusses the need for a deliberative and reflective democracy, supported by
citizens capable of argumentation, empathy, critical thinking, and active
participation. Education, in this sense, is understood not as preparation for
the market, but as an ordering of action to promote the development of human
potential, practical reason, and ethical sensibility. It follows that education
is a “fertile capability,” one that enables the realization of other
capabilities, and is therefore a fundamental pillar of both justice and
democracy.
Key-words: Capabilities. Human dignity. Education. Democracy.
Resumo
Ĉi tiu artikolo proponas integriĝantan legadon de elementoj de politika filozofio kaj edukfilozofio
de Martha Nussbaum, kun emfazo sur la artikulado
inter socia justeco, demokratio kaj edukado. Surbaze de la aliro de kapabloj, centra koncepto en la justecteorio de la
aŭtorino, oni argumentas, ke demokratio estas politika reĝimo postulema de edukado, en ampleksa kaj kvalita
maniero, kaj ke edukado estas nedisputebla kondiĉo por la efektivigo de digna vivo kaj la ekzerco de civitaneco en demokratiaj socioj. La teksto montras kiel la listo de kapabloj proponita de Nussbaum ofertas kriteriojn por taksi socian justecon
kaj kiel diversaj el tiuj kapabloj rekte dependas de ampleksa edukado, kiu inkluzivas la humanitatojn kiel centran komponenton de la kurso. Tiel, la elementoj de edukado por demokratio, laŭ Nussbaum, estas rilataj al la fundamentaj varoj kaj rajtoj, kiuj,
por ŝi, konsistigas la parametrojn por justa socio. En tiu
kunteksto, oni diskutas la bezonon de
deliberativa kaj reflektiva
demokratio, subtenata de civitanoj kapablaj je argumentado, empatio, kritika pensado kaj aktiva partopreno. Edukado, en tiu senco, estas komprenata ne kiel preparado por la merkato, sed kiel la ordigo
de agoj de disvolviĝo de homaj potencialoj, praktika racio kaj etikaj sentoj.
Konstatiĝas do, ke la edukado estas "fertila kapablo", tio estas, tiu kiu ebligas la realigon de aliaj kapabloj, estante do fundamenta piliero
de ambaŭ justeco kaj demokratio.
Ŝlosilvortoj:
Kapabloj. Homaro. Edukado. Demokratio.
JUSTIÇA
SOCIAL, DEMOCRACIA E EDUCAÇÃO NA FILOSOFIA DE MARTHA NUSSBAUM
Quando se trata de
“Educação e democracia”, a filósofa estadunidense Martha Nussbaum
(1947-) é um nome imprescindível, devido ao sucesso do seu livro “Sem fins
lucrativos”, publicado originalmente nos Estados Unidos, em 2010, “com o
explícito propósito de intervenção no debate político educacional durante o
governo Obama” e tomando “voluntariamente a forma contundente de ‘manifesto’” (Pécora,
2015, p. IX). Apesar disso, o livro não é fruto de preocupações restritas
àquela ocasião, ao contrário, é a culminância de reflexões acerca da formação e
do desenvolvimento humanos que remontam, no percurso filosófico da autora, ao
final da década de 1980 e já presentes em livros como “A fragilidade da
bondade”, de 1986, e “Love’s Knowledge”,
de 1990. Em 1997, ela publicou seu primeiro estudo dedicado diretamente à
educação formal, “Cultivating Humanities”,
já antecipando as principais linhas da sua argumentação que defende um
currículo educacional voltado para a democracia e, por isso mesmo, com forte
presença das humanidades. Repercutindo
esses estudos, foi publicado no Brasil, em 2021, o livro “Leituras sobre Martha
Nussbaum e a educação”, organizado por Altair Fávero,
que reúne 18 textos de diversos autores(as) que exploram a produção teórica de Nussbaum relacionada à educação.
Este artigo, de caráter
introdutório, atua nessa exploração, porém com um intuito específico:
relacionar a teoria educacional de Nussbaum com sua
filosofia política, especialmente o enfoque das capacidades e sua concepção de
democracia, de modo a perceber mais claramente o lugar e as relações da
educação na filosofia da autora. A abordagem adotada aqui é focada em
estabelecer vínculos entre o que a educação pode proporcionar com aquilo que a
política e a democracia devem proteger ou garantir aos indivíduos para que uma
sociedade possa ser considerada justa.
Algumas noções básicas da filosofia política
de Martha Nussbaum
Nesta seção,
apresentaremos, em traços gerais, dois elementos da filosofia política de Nussbaum que dialogam diretamente com suas concepções
educacionais, a saber, o enfoque das capacidades e sua noção de democracia.
A filósofa
estadunidense, a partir dos trabalhos que desenvolveu com o Instituto Mundial
de Pesquisa Econômica do Desenvolvimento da Universidade das Nações Unidas
(UNU-WIDER), elaborou uma lista de capacidades (capabilities) que devem ser
garantidas aos indivíduos pelo Estado e pela sociedade a fim de avaliar se
determinada sociedade ou nação pode ser considerada justa. Trata-se, pois, de
uma teoria sobre justiça social, mas também de uma forma de oferecer parâmetros
e perspectivas para pensar o desenvolvimento das nações sem reduzi-lo a fatores
econômicos, como é o caso das abordagens com fixação no PIB ou no PIB per capita. A lista apresenta um rol de
capacidades ou pontos vitais de desenvolvimento humano que devem ser
oportunizados a cada indivíduo como direitos fundamentais. Essa lista exige não
só oportunidades de crescimento (flourishing), como também proteções e apoios efetivos a
partir de um nível mínimo definido, de modo que tudo que restar abaixo desse
nível constitui injustiça social. Ela oferece também uma forma, intuitiva, de
determinar o que seria uma vida humana digna, isto é, os componentes de uma
vida à altura da dignidade humana. Essas capacidades são uma forma de
apresentar direitos fundamentais, porém evitando a ambiguidade de afirmar um ou
mais direitos, sem que os indivíduos tenham condições ou capacidade de exercê-los;
por exemplo, pode-se afirmar que, no Brasil, uma mãe que trabalha fora de casa
e ainda se incumbe de tarefas domésticas tem direito ao lazer; porém, sabemos
que muitas delas não têm reais condições de exercício desse direito; ao falar
de capacidades, Nussbaum e outros teóricos dessa
abordagem, pretende evitar falar de direitos que só existem formalmente, para
falar da disponibilização efetiva da sua possibilidade de exercício a cada
indivíduo.
O que são
capacidades (capabilities)?
Elas são as respostas à pergunta: 'O que essa pessoa é capaz de fazer e de
ser?' (...) Em outras palavras, elas não são apenas habilidades que residem
dentro de uma pessoa, mas também as liberdades ou oportunidades criadas por uma
combinação de habilidades pessoais e do ambiente político, social e econômico”
(Nussbaum, 2011, p. 20, tradução nossa).
Os componentes da
lista foram formulados depois de anos de discussão intercultural e de
comparações com versões anteriores; é importante ponderar que ela está sujeita
a mudanças, e, conforme for utilizada e testada, pode ser especificada de forma
mais concreta de acordo com as crenças e costumes do local onde ela for
aplicada. Segue abaixo uma versão sumária da lista, a qual foi originariamente
apresentada no livro “Women and human development”, de 2000
(p. 78 a 80).
|
Capacidades (capabilities) |
Descrição |
|
1.
Vida |
Ser
capaz de viver até o fim de uma vida humana de duração normal. |
|
2.
Saúde física |
Ser
capaz de ter boa saúde, incluindo saúde reprodutiva. |
|
3.
Integridade física |
Ser
capaz de se movimentar livremente de um lugar para outro; ter os limites
corporais tratados como soberanos, ou seja, ser capaz de estar seguro contra
agressão, incluindo agressão sexual, abuso sexual infantil e violência
doméstica; ter oportunidades de satisfação sexual e de escolha em matéria de
reprodução. |
|
4.
Sentidos,
imaginação e pensamento |
Ser
capaz de usar os sentidos, imaginar, pensar e raciocinar – e fazer essas
coisas de uma forma “verdadeiramente humana”, isto é, de maneira informada e
cultivada por uma educação adequada, incluindo, mas de forma alguma limitada
à alfabetização e à formação matemática e científica básica. Ser capaz de
usar a imaginação e o pensamento em conexão com a experiência e a produção de
obras e eventos autoexpressivos de sua própria
escolha, ser capaz de usar a mente de forma protegida por garantias de
liberdade de expressão no que diz respeito ao discurso político e artístico,
e à liberdade de exercício religioso. Poder ter experiências prazerosas e
evitar dores desnecessárias. |
|
5.
Emoções |
Ser
capaz de ter apegos a coisas e pessoas fora de nós; amar aqueles que nos amam
e cuidam de nós, lamentar a sua ausência; em geral, amar, lamentar, sentir
saudade, gratidão e raiva justificada. Não ter o desenvolvimento emocional
prejudicado por medo e ansiedade avassaladores, ou por eventos traumáticos de
abuso ou negligência. |
|
6.
Razão prática |
Ser
capaz de formar uma concepção do bem e de se engajar na reflexão crítica
sobre o planejamento da própria vida. |
|
7.
Afiliação |
A.
Ser capaz de conviver com os outros, de reconhecer e mostrar preocupação
pelos outros seres humanos, de se envolver em diversas formas de interação
social ou de associações; ter a capacidade tanto de amizade quanto de
justiça. B.
Ter as bases sociais do respeito próprio e da não humilhação; poder ser
tratado como um ser digno cujo valor é igual ao dos outros. Isto implica, no
mínimo, proteções contra a discriminação com base na raça, sexo, orientação
sexual, religião, casta, etnia ou origem nacional. No trabalho, ser capaz de
trabalhar como ser humano. |
|
8.
Outras espécies |
Ser
capaz de viver com preocupação e cuidado com os animais, as plantas e o mundo
da natureza. |
|
9.
Jogo e lazer |
Poder
rir, brincar, desfrutar de atividades recreativas. |
|
10.
Controle sobre o
seu próprio entorno |
A.
Político: ser capaz de participar efetivamente nas escolhas políticas que
regem a própria vida; tendo o direito de participação política, proteções da
liberdade de expressão e associação. B.
Material: ser capaz de deter propriedades (tanto terras como bens móveis),
não apenas formalmente, mas em termos de oportunidades reais; e ter direitos
de propriedade em igualdade de condições com os outros; ter o direito de
procurar emprego em condições de igualdade com os outros; estar livre de
busca e apreensão injustificadas. |
Quadro 1: Lista das capacidades (NUSSBAUM, 2000,
p.78 até 80)
Como bem observaram Zambam e Martinelli (2021, p. 79), a lista contempla aquilo
que é essencial “para a realização individual das pessoas e sua integração
social” e está relacionada à qualificação do que é o bem humano numa
perspectiva aristotélica de eudaimonia (felicidade ou vida boa), a qual envolve tanto
desenvolvimento (flourishing)
de capacidades quanto bem-estar. Elas devem ser vistas como acontecendo em
rede: “as capacidades são vistas não como átomos isolados, mas como um conjunto
de oportunidades que interagem e se influenciam mutuamente” (Nussbaum, 2011, p. 98).
Com respeito à
concepção de Nussbaum de democracia, devemos levar em
consideração os apontamentos da própria lista, pois, como delimitação pervasiva do bem humano e da base de justiça social, ela
envolve a democracia. Assim, a democracia tem a ver com dois pontos: (10) com o
controle com o próprio ambiente, isto é, tem a ver com a participação social
que permite as pessoas ultrapassarem a condição de mero objeto das mudanças
sociais; (7) com a capacidade de afiliação, isto é, de ter associações tanto
afetivas quanto por busca de justiça ou por atendimento de interesses em comum
com os outros. Nussbaum, novamente seguindo
Aristóteles (Nussbaum, 2011, p. 125), entende o ser
humano como animal social, e a democracia surge, no contexto da sua teoria,
como uma capacidade, e portanto, um poder de realização de algo precioso para
ter uma vida significativa, isto é, ter algum controle sobre seu próprio
ambiente e o poder de unir aos outros tendo em vista a justiça e uma vida
digna. Além disso, sua visão de democracia relaciona-se não apenas com a
possibilidade de participação política, mas com sua qualidade, que deve se
realizar numa arena de melhoramento de ideias, e não apenas de competição de
interesses particulares associados.
Para promover uma
democracia que seja reflexiva e deliberativa, em vez de simplesmente um mercado
de grupos de interesse concorrentes, uma democracia que genuinamente pense no
bem comum, precisamos produzir cidadãos que tenham a capacidade socrática de
raciocinar sobre suas crenças. Não é bom para a democracia quando as pessoas
votam com base em sentimentos que absorveram do rádio e nunca questionaram.
Essa incapacidade de pensar criticamente produz uma democracia em que as
pessoas falam umas com as outras, mas nunca têm um diálogo genuíno. Em uma
atmosfera como essa, argumentos ruins passam por bons argumentos, e o
preconceito pode facilmente se disfarçar de razão. Para desmascarar o
preconceito e garantir a justiça, precisamos de argumentos, uma ferramenta
essencial da liberdade cívica (Nussbaum, 1997, p. 19,
tradução nossa).
Nesse trecho, podemos
destacar que a democracia deve ser “reflexiva e deliberativa”, deve proporcionar
um genuíno diálogo e deve impedir que os preconceitos ou opiniões acríticas o
usurpem. Não seria, pois, a democracia mera forma de governo, mera consulta de
preferências particulares, mas sim uma política que requer um ethos, como bem
destacaram Cenci et al (2021, p. 170). É por isso que
sua concepção de democracia está muito atrelada aos elementos da educação que
ela defende e à forma como entende o bem humano e uma vida florescente.
Exploraremos isso melhor nas próximas seções, porém, antes, fazemos uma última
observação: em seu livro de 2010 sobre educação e democracia (“Sem fins
lucrativos”), Nussbaum declarou: “as democracias do
mundo inteiro estão subestimando e, portanto, ignorando competências de que
precisamos desesperadamente para manter as democracias vivas, respeitosas e
responsáveis” (2015, p. 77). Essas palavras não demoraram a encontrar, em
escala crescente, evidências nos fatos políticos de várias nações, com a
ascensão da extrema direita, com o ganho de popularidade de ideologias e líderes
preconceituosos e autoritários e com a deterioração política, institucional e
moral da democracia em vários países.
Educação e o enfoque
(approach) das capacidades
A democracia não
apenas reivindica um ethos,
mais do que isso, ela precisa de um ethos mais qualificado do que outras formas de governo e de
sociedade.
Concordo totalmente que
estruturas e leis são cruciais (...). Mas leis não podem ser promulgadas, ou
sustentadas, sem os corações e mentes das pessoas. Em uma monarquia, não é
assim — tudo o que o monarca precisa é de medo suficiente para produzir
obediência. Em uma democracia, precisamos de muito mais: amor ao bem, esperança
no futuro, uma determinação para combater as forças corrosivas do ódio, do nojo
e da raiva — todas alimentadas, eu afirmo, pelo medo. (Nussbaum,
2018, p. 9-10, tradução nossa).
Se a democracia reivindica um ethos, e mais do que isso, um ethos mais
qualificado do que outros regimes políticos, então a democracia é uma forma de
fazer política e de estruturar a sociedade que mais necessidade tem de uma
educação abrangente e de qualidade. “Uma nação sob um
governo bem regulado não deveria permitir que ninguém permanecesse sem
instrução. É apenas o governo monárquico e aristocrático que necessita da
ignorância para se sustentar.” (Nussbaum, 2011, p.
139). Regimes oligárquicos podem educar apenas a elite, sociedades democráticas
não podem prescindir de educar a todos. Sociedades autoritárias podem educar
apenas para a competência técnica, sociedades democráticas, não, pois os educandos
serão formuladores ou, no mínimo, avaliadores de políticas públicas.
Para Nussbaum, a democracia é um elemento intrínseco e
inegociável de uma vida humana digna, ela exige um ethos e, portanto, uma educação
abrangente e qualificada; porém a educação não é importante apenas para a
democracia, sendo, na verdade, um elemento pervasivo
a vários elementos da lista de capacidades, logo um elemento indispensável e veiculante da justiça social.
Minha visão [o
enfoque das capacidades], por contraste, precisa sim depender do altruísmo, e
portanto precisa dizer muito sobre como e por que surgem motivações altruístas,
quais outras motivações devem enfrentar, e como podemos cultivar os sentimentos
úteis de forma socialmente propícia (Nussbaum, 2011,
p. 96, tradução nossa).
Antes de qualquer coisa, consoante a filosofia de Nussbaum, a educação não pode ser compreendida como uma
regulação da competição ou competividade dos indivíduos ou das nações no
mercado capitalista; não é para ter condições de competir ou “vencer na vida”
que alguém é educado, mas sim para o seu próprio desenvolvimento pessoal, ser
mais e melhor em relação a si mesmo, às suas próprias potencialidades; nas
palavras de Nussbaum, não restar, em relação a estas,
mutilado pela falta de
cultivo (2006, p. 344).
Nesse sentido e em
relação aos elementos da lista de capacidades, a educação é como o tronco a
partir do qual os galhos de outros direitos e capacidades ganham potencial de
efetivação ou funcionamento: “a educação é a chave para todas as capacidades
humanas” (2006, p. 396). Em outras palavras, sem a educação, muitos elementos
da vida digna, por exemplo, a participação política, podem existir como
direitos no papel sem serem efetivadas pelos indivíduos porque não se tornaram
capazes dessa realização (functioning). Por isso, a educação pode ser tida como uma
“capacidade fértil” (Nussbaum, 2011, p. 45), isto é,
uma capacidade que ativa e potencializa outras.
Assim, democracia,
justiça social e educação se entrelaçam na filosofia de Martha Nussbaum. Uma vida humana digna exige democracia e
educação; a democracia exige um tipo mais abrangente e qualificado de educação;
e esta, no mundo complexo em que vivemos, exige políticas públicas inclusivas,
não discriminatórias e que respeitem a liberdade e fomentem a autonomia dos
indivíduos, isto é, um tipo de educação na qual somente uma democracia poderia
estar interessada. Na próxima seção,
veremos como alguns elementos de uma educação para a democracia se relacionam
com as capacidades que integram uma vida correspondente à dignidade humana.
Relação de elementos
de uma educação para a democracia e a lista de capacidades
Nesta seção, não
faremos uma exploração de todos os elementos da filosofia da educação de Martha
Nussbaum, pois são muitos e diversos, havendo
considerações gerais e específicas sobre metodologia, composição curricular e
desenvolvimento de competências. A título de exemplo, podemos citar que, no
livro “Cultivating Humanity”, de
1997, ela trata de sete dimensões curriculares importantes: a autocrítica
socrática (socratic self-examination),
o fomento da cidadania cosmopolita, a imaginação narrativa, o estudo de
culturas não ocidentais, o estudo da cultura afro-americana, os estudos de
gênero e o estudo sobre a sexualidade humana. Cada um desses tópicos exigiria
um trabalho específico para seu exame apropriado. O interesse aqui é apenas
mostrar correspondências entre a lista de capacidades, que é uma lista do
conteúdo de uma vida digna, e elementos do que seria uma educação voltada para
a democracia na perspectiva dessa filósofa estadunidense. Veremos, pois, que 6
dos 10 itens da lista de capacidades são beneficiados por uma educação voltada
à democracia e que inclua devidamente as humanidades como componentes
curriculares
Começando pelo item
“4. Sentidos, imaginação e pensamento”, podemos destacar como elemento de uma
educação para a democracia o desenvolvimento de uma imaginação narrativa, que é
uma habilidade que construímos desde crianças quando nos contam histórias
infantis, e que concerne ao exercício de alteridade e de projeção que fazemos
quando estamos diante de uma narrativa.
Essa habilidade, fomentada pela literatura, pelas artes cênicas e pela
história, torna-nos capazes de entender a história da humanidade, dos outros,
de entender a nossa própria trajetória, e as diversas trajetórias que os grupos
e indivíduos realizam na vida, com ricas particularidades. A imaginação
narrativa é também importante com respeito às capacidades “5. Emoções” e “6.
Razão Prática”, pois, por meio das estórias e histórias, aprendemos a
cultivar-nos emocionalmente e compreender a complexidade da vida, das escolhas
e da agência humana; para cultivarmos a compaixão e empatia, por exemplo, nós
podemos vivenciar em pensamento e também em emoções, por meio das narrativas,
todas as diferentes circunstâncias e situações que diversos grupos
(principalmente minorias) da sociedade vivem e que podem ser distantes demais
da vida rotineira de muitas pessoas. As narrativas permitem aos indivíduos
entenderem-se uns aos outros, fomentando assim também a capacidade “7.
Afiliação”.
Já o item 9. da lista
das capacidades refere-se ao jogo e ao lazer. Aqui as artes e a educação física
cumprem um papel importante na formação humana, pois permitem o des-estranhamento do outro. De início, a presença do outro
desconhecido ou diferente pode parecer algo estranho, incômodo ou até
ameaçador, todavia, na brincadeira, isso se torna uma agradável fonte de
curiosidade, que contribui para a formação de saudáveis atitudes de amizade,
amor e, posteriormente, agência política. As artes e os jogos têm um papel
fundamental para manter a capacidade de brincar mesmo depois de adulto.
Baseando-se em Winnicott, Nussbaum
defende que as artes, as brincadeiras e os esportes têm a função de preservar e
intensificar o desenvolvimento do espaço lúdico e também de alimentar e ampliar
a capacidade de empatia. Aqui somos capazes de imaginar, capazes de viver com e
em relação ao outro e podemos brincar.
Isso acaba incidindo
também sobre os itens “5. Emoções” e “7. Afiliação”. Parte considerável do que Nussbaum propõe como educação sentimental tem a ver com a
compreensão e inibição de disposições afetivas nocivas e o cultivo de
disposições emocionais positivas: “creio que essa história de narcisismo,
impotência, vergonha, nojo e compaixão encontra-se no centro do que a educação
para uma cidadania democrática deve tratar” (Nussbaum,
2015, p. 40-41). Trataremos aqui, sinteticamente e a título de ilustração, de
dois afetos negativos que a educação deve cuidar: o narcisismo infantil e o
nojo projetivo. As crianças não
nascem com uma dimensão rica de alteridade, as pessoas não são
totalmente reais para os bebês no início da vida, elas são apenas instrumentos
que podem ou não fornecer o que ele precisa. A partir dessa fase, surgiria o
desejo de transformar os pais, os cuidadores ou outros em escravos, e esse
desejo original é o que está por trás da busca por hierarquias por parte do
sujeito em formação. Uma vez que não faltam hierarquias arbitrárias e injustas
nas sociedades, o narcisismo infantil, se não cuidado, pode resultar no endosso
dessas hierarquias e na inferiorização daqueles que são subordinados nessas
hierarquias. Essa dinâmica representa um perigo constante para a igualdade
democrática, pois gera afetos negativos que são projetados sobre grupos
minoritários, sendo um exemplo o nojo projetivo. Geralmente, com o nojo,
rejeitamos coisas como fezes, outros resíduos corporais e cadáveres, que são a
prova de nossa própria animalidade e mortalidade. No entanto, o nojo começa a
ser de fato prejudicial quando se junta ao nosso narcisismo primitivo e se
torna projetivo, isto é, passa a ser projetado em pessoas. As crianças aprendem
a projetar sua aversão com os adultos da sociedade que as cerca, que,
frequentemente, dirigem sua repulsa para um ou mais grupos vulneráveis, como
afrodescendentes, judeus, mulheres, homossexuais, pessoas pobres, castas
inferiores na hierarquia das castas indianas, entre outros grupos. Todas essas
emoções devem ser tratadas na educação da criança, que, com o passar do tempo,
vai aprendendo a lidar com elas, convertendo seus impulsos em amor e compaixão.
Essas emoções, na sua forma bruta, opõem-se à capacidade potencial da criança
de demonstrar um interesse compassivo vivo e ver o outro como um fim em vez de
um meio. Se uma boa educação for realizada, as crianças desenvolverão gratidão
e amor pelos seres (geralmente os seus pais ou familiares) que atendem às suas
necessidades, elas aprenderão a ver o mundo do ponto de vista dessas pessoas e
aprenderão que os outros não são seus escravos, mas seres livres com direito à
própria vida. O currículo escolar e as ações educativas devem, para Nussbaum, cuidar disso também, por meio da literatura, da
filosofia, das artes, dos esportes, da compreensão e da crítica das formações
das hierarquias sociais (sociologia e história).
Com respeito ao item “10. Controle sobre o seu próprio entorno”, há de se reconhecer, em primeiro
lugar, que vivemos em um mundo globalizado em que o campo de ação dos
indivíduos é afetado por fatores econômicos, políticos e ambientais originados
em outras nações. Dessa forma, a cidadania proposta por Nussbaum
tem o caráter cosmopolita e exige, por isso, uma educação multicultural, que
nos familiarize sobre as questões e histórias culturais do mundo, nos fazendo
reconhecer a humanidade e suas diversidades; exige também entender como a
economia e a política mundiais funcionam e como têm se desenrolado
historicamente até o presente momento. Por meio desses estudos, somos levados a
compreender mais sobre a política e a participar dela para que possamos ser
cidadãos ativos que mantêm a democracia viva.
Nussbaum destaca o
compromisso da educação em assumir e convocar o debate frente à atuação efetiva
dos indivíduos como cidadãos do mundo. Alerta para a onda mercantilista do
mundo globalizado que exige a colaboração internacional da educação e, conforme
Nussbaum (2015, p. 80), ordena que as
"interações humanas sejam mediadas pelas normas inadequadas da troca
comercial, em que as vidas humanas são consideradas [...] instrumentos de
lucro". Portanto, o compromisso da educação e da escola situa o empenho
com o desenvolvimento das capacidades dos estudantes para que se percebam
"como membros de uma nação heterogênea [...] e de um mundo ainda mais
heterogêneo, e de inteirar-se [...] da história e da natureza dos diversos
grupos que nele habitam". As artes e as humanidades se constituem como
pilares de sensibilidade e de raciocínio crítico, inerentes a essa construção e
como base do trabalho exercido pelos professores e professoras, dedicados à
construção de uma cidadania global. (Silveira et al., 2021, p. 131).
Assim sendo, os jovens devem estudar obras que
incluam experiências de diversos grupos da sociedade e aprender sobre elas,
principalmente sobre as minorias que ainda são discriminadas na sociedade, na
política, no campo acadêmico e no mercado de trabalho. O impacto disso na
educação é compreender criticamente as desigualdades buscando mudanças nesse
cenário em respeito à dignidade humana, combatendo os estereótipos, os
preconceitos e fomentando o diálogo e a argumentação.
Nesse sentido, Nussbaum (2014) ressalta a educação multicultural como
forma de educação necessária a uma democracia pluralista. Para ela, conhecer a
história, a língua, as tradições, a economia, a política e a religião dos
diversos grupos desde a infância, em um movimento que contrarie a negligência
ao diferente, impede que certos modos de pensar e de agir que desvalorizam a
diferença sejam naturalizados (Leite et. al., 2021, p. 200).
Por fim, trataremos
dos ensinamentos de Sócrates e da sua apropriação por Nussbaum
ao desenvolver mais um elemento da educação para a democracia, a vida examinada
(socratic self-examination),
relacionada ao item 6. Razão prática,
do quadro 1. É uma vida em que aprendemos a examinar constantemente as opiniões
que estão em pauta e que influenciam nossas ações no cotidiano, fazendo uma
reflexão crítica acerca delas e sobre que vida devemos almejar, o que deve
levar-nos à busca de novos conhecimentos e a nos questionar acerca deles
também. Nesse sentido, devemos ser estimulados a ter um pensamento crítico,
porém, primeiramente, ele deve incidir sobre si mesmo, as próprias crenças e
ações, para depois ser expandido sobre a sociedade em que vivemos. Nesse desenrolar
de avaliação de si para a avaliação da própria cultura, a argumentação e a
capacidade de questionamento também têm que ser desenvolvidas, pois é uma
tarefa que se faz em diálogo e debate com os outros. Precisamos reconhecer a
existência dos conflitos da sociedade, dos erros ou deficiências das
instituições e governos, e aprender a desenvolver sobre isso conhecimento e
crítica. Não é preciso repetir que aqui, novamente, as humanidades cumprem um
papel fundamental na educação.
Vimos, então,
diversos elementos que uma educação para democracia deve ter e como esses
elementos se relacionam positivamente com as capacidades que constituem os
direitos fundamentais para ter uma vida digna e uma sociedade justa. Por meio
da percepção dessas conexões, voltamos ao conceito de cidadão do mundo, pois
ninguém é cidadão sem ter reconhecido seus direitos fundamentais, e ninguém
pode lutar por eles se não desenvolveu, por meio da educação, as capacidades
exigidas nessas lutas. Abaixo, organizamos de forma mais clara as conexões
encontradas entre os elementos de uma educação para a democracia e as
capacidades fundamentais.
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Elementos de uma educação para democracia |
Elemento da lista do enfoque das capacidades |
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Vida examinada |
6. Razão prática |
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Imaginação
narrativa e artes |
4. Sentidos, imaginação e pensamento; 7.
Afiliação; 9. Jogo |
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A brincadeira e o
jogo |
4. Sentidos, imaginação e pensamento. 5. Emoções;
7; Afiliação; 9. Jogo e lazer |
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Educação
sentimental e multicultural |
5. Emoções; 7. Afiliação |
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Cidadania
cosmopolita |
4. Sentidos, imaginação e pensamento; 6. Razão
prática; 10. Controle sobre o seu próprio entorno. |
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Quadro
2: Relação entre os elementos de uma
educação para democracia e a lista de capacidades do enfoque das capacidades
Convém mencionar
que só citamos e estabelecemos relações com os elementos da educação que Nussbaum explorou na sua relação com a democracia. Por
isso, não é aqui tratado, por exemplo, de uma educação ambiental ligada ao
cuidado com outras espécies e com a natureza, a qual estaria em estreito vínculo
com a filosofia de Nussbaum e com o item 8 da lista
de capacidades, mas que ela não desenvolveu em seus escritos sobre educação por
estar diretamente focada em uma educação para a democracia e na importância das
humanidades na formação dos cidadãos.
CONSIDERAÇÕES
FINAIS
Neste trabalho,
buscamos conectar a filosofia da educação de Martha Nussbaum,
que é a parte da sua obra mais conhecida no Brasil, a fundamentos da sua
filosofia política. Desta forma, verificamos que a teoria da justiça social de Nussbaum se sustenta num delineamento dos principais bens
ou direitos fundamentais, as capacidades, que devem ser garantidos a cada
pessoa a partir de determinada linha qualitativa, em relação à qual tudo que
estiver abaixo, isto é, for insuficiente, constitui injustiça social. Essas capacidades requerem uma sociedade
democrática e uma educação abrangente para que se possam efetuar, pois, de
outro modo, restariam apenas como letra morta nas leis e constituições. A partir
disso, demonstramos como vários elementos da filosofia da educação de Nussbaum se vinculam ao desenvolvimento das capacidades e,
assim, da efetivação (functioning)
de direitos fundamentais e da democracia. Esses elementos exigem uma educação
na qual as humanidades sejam parte fundamental do currículo, pois são os
conhecimentos das humanidades que proporcionam mais diretamente uma educação
sentimental, que combata nossas tendências narcísicas, nossos preconceitos e
aversão ao outro, e nos preparam para a cidadania em mundo globalizado. Essa educação
abrangente e cívica é, no vocabulário do enfoque das capacidades, uma
capacidade fértil, no sentido de que é um direito que permite o exercício de
outros direitos, inclusive, o direito de lutar por direitos. Assim fica
demonstrada, na perspectiva de Nussbaum, uma rede de
retroalimentação entre vida digna, democracia e educação.
REFERÊNCIAS
CENCI, A. V.; PETRY,
C; CASAGRANDA, E. A. Emoções, vulnerabilidade e educação para um ethos democrático
em Martha Nussbaum. In.: FÁVERO, Altair (org.). Leituras
sobre Martha Nussbaum e a Educação. Curitiba,
Editora CRV, 2021.
LEITE, A. C. C.;
SIMON, C.; GUERRA, S. Z. Mulheres e educação: contribuição de Martha Nussbaum e as práticas escolares no Brasil. In.: FÁVERO,
Altair (org.). Leituras sobre Martha Nussbaum e a Educação. Curitiba, Editora CRV, 2021.
NUSSBAUM, Martha. Creating
capabilities: the human development approach. London, England. Harvard
University Press, 2011.
NUSSBAUM, Martha. Cultivating humanity: a
classical defense of reform in liberal education. London, England. Harvard University
Press, 1997.
NUSSBAUM, Martha. Fronteiras da justiça. Trad. Susana de
Castro. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2013.
NUSSBAUM, Martha. Sem
fins lucrativos: por que a democracia precisa das
humanidades. São Paulo. WMF Martins Fontes, 2015.
NUSSBAUM, Martha. The monarchy of
fear: a philosopher looks at our political crisis. New York, Simon and
Schuster, 2018.
NUSSBAUM, Martha. Women and human development. New York. Cambridge
University Press, 2000.
PÉCORA, Alcir. Apresentação
à edição brasileira. In.: NUSSBAUM, Martha. Sem fins lucrativos:
por que a democracia precisa das humanidades. São Paulo. WMF Martins
Fontes, 2015.
SILVEIRA, C. L. A.;
ESTORMOVSKY, R. C.; ZARDO, S. M. A função política da palavra para a formação
do sujeito no mundo na visão de Nussbaum e Freire.
In.: FÁVERO, Altair (org.). Leituras sobre Martha Nussbaum
e a Educação. Curitiba, Editora CRV, 2021.
ZAMBAM, N. J.;
MARTINELLI, L. S. A abordagem das capacitações (capabilities)
e a educação para a liberdade. In.: FÁVERO, Altair (org.). Leituras sobre Martha Nussbaum e a Educação. Curitiba,
Editora CRV, 2021.
[22] Instituto
Federal de Goiás – IFG, na condição de docente efetivo de Filosofia no campus
Formosa/GO, e Universidade de Brasília – UnB, na condição de doutorando no
Programa de Pós-Graduação em Filosofia – PPG-FIL/UnB. Mestre em filosofia pela
Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia – FAJE. E-mail: hansmagno@yahoo.com.br
[23] Estudante no Ensino Médio do
Instituto Federal de Goiás – IFG. E-mail: thaschliewe@gmail.com