APRESENTAÇÃO:
Edição XXX
A presente edição da Revista Eletrônica ΙF-Sophia,
volume XXX do 2º semestre de 2025, propõe discutir a temática “As três ecologias (meio ambiente, relações sociais e
subjetividade) na contemporaneidade”. Nesta edição, o leitor encontrará onze artigos
– dez nacionais e um internacional – que marcam uma postura
crítica diante da contemporaneidade, marcada pela recusa de leituras
fragmentadas da realidade e pela problematização dos modos hegemônicos de
produção de saber, poder e subjetividade.
Como introdução, contamos com o editorial do
Prof. Dr. Alan Rodrigo
Padilha (IFPR, campus Umuarama). Com o título “AS
TRÊS ECOLOGIAS E OS DEVIRES ECOSÓFICOS CONTEMPORÂNEOS” o professor Padilha apresenta
a ecosofia de Félix Guattari
como uma ruptura com o paradigma fragmentado do conhecimento, propondo uma abordagem
rizomática que integra natureza, sociedade e
subjetividade. Destaca que a crise contemporânea não é apenas ambiental, mas
também social, política e existencial, profundamente ligada à lógica do
capitalismo. Por fim, convida a um devir ecosófico
contínuo, ético e político, comprometido com a reinvenção da vida e com uma
coexistência mais justa entre humanos e não humanos.
A seguir, apresentamos um breve resumo dos
artigos desta edição, os quais estão reunidos em três grupos:
1.
As propostas do primeiro grupo articulam-se diretamente com a proposta da
edição ao compreenderem a crise contemporânea de forma integrada, reconhecendo
a interdependência entre degradação ambiental, formas de organização social e
processos de subjetivação. Esses trabalhos deslocam a ecologia de uma
perspectiva meramente técnica para um campo ético, político, educativo e
afetivo, evidenciando como os modos de vida, as práticas coletivas e os regimes
de sentido produzem tanto a devastação quanto as possibilidades de recomposição
do comum. Os textos desse primeiro grupo são:
- A CRISE ECOLÓGICA COMO
EXPRESSÃO DA SOCIEDADE FECHADA: uma leitura de Henri Bergson
de autoria de Tailine Hijaz - O artigo interpreta a crise
ecológica a partir dos conceitos de sociedade aberta e fechada de Bergson. Argumenta que a moral fechada e o tecnicismo
intensificam a destruição ambiental. Defende a moral aberta como alternativa
ética e espiritual. Propõe repensar a relação entre humanidade e natureza.
2. As propostas do segundo grupo mantêm
vínculo com a edição ao dialogarem de forma parcial com a perspectiva das três
ecologias, sobretudo por meio da análise das relações sociais e dos processos de subjetivação característicos da contemporaneidade.
Embora não tenham o meio ambiente como eixo central, esses trabalhos evidenciam
como dinâmicas de poder, instituições, tecnologias e modos de gestão produzem
formas de sofrimento, controle e desagregação do laço social, aspectos
fundamentais da ecologia social e mental. Os textos desse segundo grupo são:
- PERCEPCIÓN AMBIENTAL DE
LÍDERES SOBRE LA CONSERVACIÓN DE PLAYAS EN VERACRUZ-BOCA DEL RÍO Y ALVARADO,
MÉXICO de autoria de María Soledad del Rosario Logozzo e José Luis Corona Lisboa - O estudo examina a percepção ambiental de líderes de
ONGs atuantes na conservação de praias mexicanas. Utiliza metodologia
qualitativa baseada em entrevistas. Os resultados indicam engajamento positivo,
porém insuficiente para o equilíbrio ecológico. Destaca a necessidade de maior
atuação do poder público.
- O BIOPODER E A
BIOTECNOLOGIA CONTEMPORÂNEA: o manejo dos corpos na era biotecnológica de
autoria de Felipe Augusto Alves Soares - O texto investiga a biotecnologia contemporânea à luz
do conceito foucaultiano de biopoder.
Analisa o corpo como alvo de tecnologias políticas e econômicas de controle.
Discute o aprofundamento dessas práticas no nível biomolecular. Aponta riscos e
desafios éticos desse cenário.
- ASSÉDIO MORAL: relações
de poder, subjetividade e desafios institucionais no ensino superior brasileiro
de autoria de Candida joelma
Leopoldino, Ana Paula Myszczuk
e Ney Lyzandro Tabalipa - O estudo analisa o assédio moral no ensino
superior como fenômeno social e institucional. Baseia-se em revisão integrativa
da literatura nacional recente. Evidencia hierarquias, naturalização da
violência e impactos na subjetividade. Defende políticas institucionais de
prevenção e cuidado.
3. No terceiro
grupo, reunimos textos que, embora não estabeleçam uma vinculação mais
abrangente com a temática editorial, contribuem para questionar os fundamentos
epistemológicos, discursivos e filosóficos que sustentam os modos
contemporâneos de produção de sentido, conhecimento e poder, atravessando as
relações sociais e os processos de subjetivação na contemporaneidade.
- DO MUNDO DA VIDA AO
PONTO CEGO: experiência e crise da ciência contemporânea de autoria de Carolina Fragomeni - O ensaio investiga o esquecimento da
experiência na ciência moderna. Dialoga entre Husserl e autores contemporâneos
para criticar o objetivismo científico. Relaciona essa crise a desafios atuais
como clima e tecnologia. Defende a integração entre subjetividade e empiria.
Além
dos artigos, a presente edição também apresenta uma tradução e duas resenhas, as
quais são:
-
NECROSSEXUALIDADE - PATRICIA MACCORMACK -
tradução de Lis Macêdo de Barros;
- O
ASPECTO EPISTÊMICO DOS AFETOS - resenha de Fábio Luiz Nunes;
-
NIETZSCHE NO BRASIL (1892-1945): Traduções de textos do filósofo alemão,
artigos e poemas a seu respeito publicados na imprensa - resenha
de Leovan Morais Rodrigues
Neto.
Ao
reunir essas reflexões, esta edição busca estimular leitores e leitoras a
pensarem o conhecimento científico e própria a educação como prática coletiva
de cuidado com o mundo, com as relações sociais e com os processos de
subjetivação, reafirmando seu potencial emancipatório diante das crises
contemporâneas.
Tenhamos uma ótima leitura!
Coronel Vivida, 23 de dezembro
de 2025
Dr. Daniel Salésio Vandresen
Editor-Adjunto