Arqueologia do saber e a estrutura da Ciência
uma comparação entre Michel Foucault e Thomas Kuhn
Palavras-chave:
Ciências humanas, Ciência normal, Episteme, ParadigmaResumo
O presente artigo tem por objetivo apresentar uma análise comparativa entre o modo como Michel Foucault e Thomas Kuhn interpretam, respectivamente, a natureza e a estrutura do conhecimento. Nesse sentido, ainda que o primeiro tenha em vista principalmente as ciências humanas, enquanto o segundo atenha-se notadamente às ciências naturais, pretende-se mostrar de que modo suas propostas possuem conceitos que poderiam ser aproximados e, além disso, de que maneira os dois autores interpretam o desenvolvimento histórico como um processo marcado por descontinuidades e rupturas. Os textos dos respectivos autores que tomamos como base para a análise teórica foram As palavras e as coisas (1966) e A estrutura das revoluções científicas (1962). Nota-se que não seguiremos uma ordem cronológica das obras, mas tão-somente a estrutura conceitual em que a episteme é entendida como um campo de conhecimento mais abrangente, enquanto o paradigma está circunscrito ao âmbito das ciências naturais. Desse modo, pretende-se mostrar em que medida a noção de episteme proposta por Foucault tem uma natureza e uma função similares à noção de paradigma utilizada por Kuhn; não obstante, algumas diferenças envolvem uma possível tensão entre os dois conceitos e suas respectivas funções nas filosofias desses autores. A nossa proposta visa apresentar um quadro geral comparativo entre essas duas posturas epistemológicas. Sendo assim, o estudo procura analisar como se deu a formação das ciências humanas na episteme moderna em contraponto à concepção kuhniana sobre a estrutura da ciência, na qual o conceito de paradigma determina os rumos da ciência normal. É precisamente a partir desse quadro conceitual e filosófico que parece emergir uma concepção não linear da história do conhecimento, seja das ciências humanas, seja das ciências naturais.
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