Anarquismos e Filosofias da Natureza
o entrelaçamento da filosofia moral com a filosofia política para um novo modo de vida
Palavras-chave:
Anarquismo, Ciência, PolíticaResumo
Diversas concepções de natureza e de humanidade emergiram nos círculos de discussão libertária. A crítica anarquista – desde o seu surgimento, no século XIX – rejeitou a ciência hegemônica no capitalismo, bem como a moral e os costumes vigentes. Ao recusarem os dogmas religiosos, os valores propagados pela crescente força dos Estados-nação, bem como o sistema econômico capitalista, fundaram novos conhecimentos aliados aos pressupostos libertários, e uma nova cultura da natureza de raízes proletária emergiu. Apontaram a necessidade de recuperar os vínculos perdidos de amor à natureza, na intenção de encontrar um equilíbrio com o progresso científico. A contribuição anarquista a esse objetivo assenta-se, sobretudo, na compreensão de que a dominação da natureza possui estreitas relações com a dominação entre os humanos. Para construir uma sociedade livre para todos, seria necessário estabelecer uma outra relação da humanidade com o meio natural. Inseridos nas discussões científicas do período, refutaram as concepções científicas hegemônicas em voga no século XIX e início do XX, presentes em pensadores como Darwin, Huxley e Spencer - e as leituras a eles correspondentes - que visavam ao fortalecimento de um ideal de sociedade – burguesa, capitalista - que se erigia. Para os anarquistas, a ética teria sido formada primeiramente na natureza, expandindo-se posteriormente nas relações sociais. Interpretando a natureza a partir de termos provenientes das ideias culturais, sociais e históricas ao invés de interpretações restritas à descrição científica com conceitos da biologia, os libertários construíam suas próprias filosofias da natureza. Neste trabalho, apresentaremos esta nova cultura da natureza defendida pelos anarquistas a partir de seus pressupostos libertários.
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