OS DEBATES ACERCA DA MEMÓRIA E ESPAÇO PÚBLICO NA CONTEMPORANEIDADE
o caso da estátua de Manuel Borba Gato em São Paulo
Palavras-chave:
Monumento, Memória Coletiva, Historiografia, Regionalismo, PassadoResumo
O presente artigo tem como intuito discutir a figura “mítica do bandeirante” a partir das disputas nos espaços públicos protagonizadas em torno da estátua do Manuel de Borba Gato (1649-1718). Para isso, optamos por explicar os conflitos entre os agentes das bandeiras e os jesuítas durante o período colonial e as apropriações e ressignificações que sua figura sofreu ao longo dos séculos. Esse debate é interessante recurso para processos multidisciplinares de compreensão do espaço público na contemporaneidade. Buscamos destacar o período monárquico e suas políticas em voga marcadas pela matriz indianista que corroborava para a desvalorização do passado dos agentes colonizadores da capitania de São Vicente. Posteriormente, analisamos a intensificação da valorização da imagem dos agentes das bandeiras como personagens históricos centrais na construção da nacionalidade Republicana. Destacamos o papel relevante na fomentação dessas narrativas distintas por parte do IHGB (Instituto Histórico e Geográfico do Brasil) durante a Monarquia e do IHGSP (Instituto Histórico Geográfico de São Paulo) durante o período Republicano. Visamos também demonstrar como a historiografia mobilizada durante o período republicano corroborou para a construção da memória regional tradicional que ainda persiste nos tempos atuais na capital paulista, inviabilizando o debate público e negando o direito de um espaço coletivo de rememoração mais plural e democrático.
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