VOCAÇÃO EXISTENCIAL CONTRA FATALISMO POLÍTICO-SOCIAL
pensando o ensino de filosofia com Paulo Freire
Palavras-chave:
Existência, Ontologia, Educação, Massificação, ConsciênciaResumo
Procuro pensar o ensino de filosofia como uma possibilidade de exercer nossa vocação existencial e, consequentemente, combater o fatalismo político-social, tal como compreendo que estes elementos possam ser reconhecidos na reflexão educacional de Paulo Freire. Especificamente, concentro-me em “Educação como prática da liberdade” (2021 [1967]), obra que nos apresenta o conceito de relação, pertencente exclusivamente à esfera humana, cujas características constitutivas possibilitam o que Freire chama de existir: não só estar no mundo (viver), mas estar com o mundo. A existência, essencialmente transformadora da realidade, opõe-se ao fatalismo político-social, marcado pela tese de que o mundo é tal como se nos apresenta e não pode ser transformado. Nesse contexto, a massificação, como introjeção do fatalismo, como fechamento de nossas possibilidades existenciais, constitui o oposto da educação, que deve ser o caminho para o exercício de nossa vocação existencial. Em face disso, busco evidenciar como toda essa reflexão é pautada por uma reelaboração crítica freiriana das correntes filosóficas existencialistas do século XX (d.C.), especialmente Jaspers e Marcel, constituindo uma antropologia existencial ontologicamente lastreada que pode nos ajudar a pensar a filosofia e seu ensino como historicamente dimensionados, política e socialmente referenciados, orientados pela compreensão de que estar com o mundo é transformá-lo e enfrentar as forças conservadoras que desejam impedir essa transformação. Assim, podemos compreender e exercer a filosofia e seu ensino como resistência à desumanização que o fatalismo tenta impor aos seres humanos; como ultrapassagem da consciência e da ação transitivo-ingênuas em direção das transitivo-críticas.
Referências
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