O LIVRE JOGO DA IMAGINAÇÃO COM O ENTENDIMENTO NA ESTÉTICA KANTIANA... E NO SHOEGAZE
o caso da My Bloody Valentine
Palavras-chave:
Kant, Estética, Analítica do Belo, ShoegazeResumo
O artigo se propõe a estudar a analítica do belo kantiana. Em suma, a questão que motiva o trabalho é a de perguntar se o shoegaze, um subgênero do rock alternativo, pode ser compreendido como uma expressão artística que se aproxima da estética definida por Kant. O objetivo principal consiste em responder a essa questão a partir da seguinte metodologia: primeiro, apresenta-se alguns elementos centrais da analítica do belo. Então, passa-se à caracterização do shoegaze a partir da literatura especializada, mas especialmente com a análise de uma música da banda My Bloody Valentine. Como principais conclusões, pode-se afirmar que com a estética kantiana, a sensibilidade passa a integrar a constituição do ser humano, e a satisfação diante do belo é completamente desinteressada. As representações sugerem muitas possibilidades sem coerção, permitindo um livre jogo entre imaginação e entendimento. Esse exercício imaginativo caracteriza a estética kantiana, que se destaca não pela materialidade, mas pela formalização do sensível, de forma atemática. Nesse contexto, também se concluiu que o shoegaze é uma expressão artística musical que se identifica com os elementos estéticos do belo definidos por Kant. Ele é geralmente definido pela interação fluida de vocais etéreos entre estratos de distorções e reverberações, além de experimentações sonoras com guitarras pesadas. A partir de breve análise da música “Sometimes”, da banda My Bloody Valentine, foi possível notar que, assim como a estética kantiana, o shoegaze valoriza a forma estética, busca a síntese orgânica dentro da banda e provoca introspecção e sentimentos subjetivos nos ouvintes.
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