O DISCURSO COMO INFECÇÃO

análise do impacto do discurso negacionista de um chefe de estado durante e após a pandemia de covid-19

Autores

Palavras-chave:

Discurso. Infecção. Saúde Pública. Cognição.

Resumo

O objetivo do presente estudo é defender a tese metafórica de que o discurso negacionista de um chefe de estado age de forma análoga a uma doença infectocontagiosa, tendo como objeto de estudo o ex-presidente JMB, durante e depois seu mandato presidencial, período marcado pela crise sanitária ocasionado pelo novo coronavírus, e por polarizações políticas de ultradireita. Por conseguinte, buscar-se-á comparar variáveis epidemiológicas (patologia, agente etiológico, patogênese, patologia, infecção, doença, sintomas, sinais incidência, prevalência, frequência, reservatório da infecção, transmissão e vetores) de uma doença infectocontagiosa com as práticas e materialidades discursivas do ex chefe de Estado. O artigo compara a propagação de discursos negacionistas durante a crise sanitária no Brasil com a disseminação de doenças infecciosas. Identificando os discursos negacionistas como agentes patológicos, o estudo explora como esses discursos se espalham e afetam a sociedade. Ele destaca estágios semelhantes aos processos patológicos tradicionais, como patogênese, sinais e sintomas, incidência e prevalência, para entender a extensão e gravidade da infecção discursiva. Além disso, o papel dos “vetores”, como líderes políticos e influenciadores, na disseminação desses discursos é enfatizado como crucial durante a crise. Conclui-se, portanto, que o discurso negacionista, equiparado a uma doença infectocontagiosa, é disseminado por líderes políticos, afetando a percepção coletiva e causando estresse emocional. Sua prevalência é medida pela disseminação de ideias negacionistas e sua influência na sociedade. A transmissão ocorre por contato direto e indireto, principalmente via redes sociais. Uma abordagem interdisciplinar é necessária para controlar essa infecção discursiva, destacando a importância da comunicação política e da saúde pública na disseminação de informações precisas e na mitigação dos danos da desinformação.

Biografia do Autor

  • Adriano Menino de Macêdo Júnior, Universidade do Estado do Rio Grande do Norte - UERN

    Bacharelado em Farmácia-bioquímica pelo Centro Universitário Natalense (UNICEUNA) (2016-2021). Desde 2018, é pesquisador atuante no campo da Saúde Pública e Coletiva, investigando e produzindo diversos perfis epidemiológicos e sociodemográficos a nível nacional sobre surtos, endemias, epidemias e pandemias causadas por microrganismos de relevância para a Epidemiologia e Saúde Pública: Macêdo Júnior et al. (2018; 2019; 2020; 2021; 2022; 2023; 2024). Não apenas, possui licenciatura em Letras Língua Portuguesa pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) (2021-2024). Linguista desde 2021, atuando, pesquisando e produzindo trabalhos nas áreas de Linguística Textual e Histórica, Pragmática, Semântica, Morfologia, Fonética e Fonologia, Gramática Descritiva, Estilística e Análise do Discurso. Desde 2024, passou a unir as duas áreas Saúde Pública e Linguística Discursiva, inserindo o discurso como categoria de análise epidemiológica, ou seja, os discursos negacionistas e de ódio como problema de Saúde Pública, com a primeira publicação "O discurso negacionista no desgoverno Bolsonaro como influenciador da mortalidade pela Covid-19: um paralelo entre a biopolítica e a necropolítica" (2023), publicado no Boletim de Conjuntura (BOCA). Outrossim, foi Bolsista PIBIC/UERN (2022/2023). Ademais, é consultor de Trabalhos Científicos, realizando revisão ortográfica e escrita acadêmica. Além disso, tem habilidades em produção e correção de textos direcionados ao gênero acadêmico-científico, como Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs), Monografias, Dissertações e Artigos Científicos. Ainda dentro da área de Linguística, é especialista em Metodologia do Ensino da Língua Portuguesa e Estrangeira pela Faculdade Invest de Ciências e Tecnologia (INVEST) desde 2023. Por fim, é, atualmente, pesquisador no Grupo de Estudo do Discurso da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (GEDUERN).

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Publicado

2024-07-12

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Como Citar

O DISCURSO COMO INFECÇÃO: análise do impacto do discurso negacionista de um chefe de estado durante e após a pandemia de covid-19. (2024). IF-Sophia: Revista eletrônica De investigações Filosófica, Científica E Tecnológica, 10(27), 221-255. https://revistas.ifetpr.edu.br/ifsophia/article/view/2026