ENTRE A VIDA E A MORTE

Biopolítica, necropolítica e o perfil epidemiológico do HIV/AIDS no Brasil após o desmonte da CNAIDS (2019–2022)

Autores

Palavras-chave:

CNAIDS. Necropolítica. Biopolítica. Saúde Pública.

Resumo

Este estudo analisou a frequência de casos confirmados de HIV/AIDS no Brasil entre 2019 e 2022, destacando o impacto do desmantelamento da Comissão Nacional de AIDS. Na sequência, utilizando o método ex-post-facto, a pesquisa examinou a relação entre a descontinuidade da CNAIDS e o aumento dos casos de HIV/AIDS, aplicando a Média Móvel Exponencialmente Ajustada (EMA) para suavizar flutuações nos dados e identificar tendências. Dessa maneira, as teorias da biopolítica de Foucault (1999) e da necropolítica de Mbembe (2018) foram utilizadas para contextualizar como mudanças nas políticas públicas afetaram a saúde da população e aumentaram a vulnerabilidade de grupos específicos. Acrescenta-se que os dados recortados foram coletados e categorizados por faixa etária, sexo, etnia e categoria de exposição. Dessa maneira, a EMA destacou flutuações e uma recuperação parcial dos casos nos anos seguintes. Por conseguinte, os resultados mostraram que a população parda foi a mais afetada, com um aumento significativo de casos em todas as categorias de exposição. Ademais, entre os homens, a EMA variou de 26.802 em 2019 para 25.432 em 2022, e entre as mulheres, de 11.481 em 2019 para 10.398 em 2022, indicando uma recuperação desigual no acesso aos cuidados de saúde. Concluiu-se que a descontinuidade das políticas de controle e prevenção do HIV/AIDS durante o governo de Bolsonaro teve impactos significativos nos dados epidemiológicos, com a análise qualitativa ressaltando os perigos da necropolítica e a importância das políticas públicas de saúde.

Biografia do Autor

  • Adriano Menino de Macêdo Júnior, UERN - Universidade do Estado do Rio Grande do Norte

    Bacharelado em Farmácia-bioquímica pelo Centro Universitário Natalense (UNICEUNA) (2016-2021). Desde 2018, é pesquisador atuante no campo da Saúde Pública e Coletiva, investigando e produzindo diversos perfis epidemiológicos e sociodemográficos a nível nacional sobre surtos, endemias, epidemias e pandemias causadas por microrganismos de relevância para a Epidemiologia e Saúde Pública: Macêdo Júnior et al. (2018; 2019; 2020; 2021; 2022; 2023; 2024). Não apenas, possui licenciatura em Letras Língua Portuguesa pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) (2021-2024). Linguista desde 2021, atuando, pesquisando e produzindo trabalhos nas áreas de Linguística Textual e Histórica, Pragmática, Semântica, Morfologia, Fonética e Fonologia, Gramática Descritiva, Estilística e Análise do Discurso. Desde 2024, passou a unir as duas áreas Saúde Pública e Linguística Discursiva, inserindo o discurso como categoria de análise epidemiológica, ou seja, os discursos negacionistas e de ódio como problema de Saúde Pública, com a primeira publicação "O discurso negacionista no desgoverno Bolsonaro como influenciador da mortalidade pela Covid-19: um paralelo entre a biopolítica e a necropolítica" (2023), publicado no Boletim de Conjuntura (BOCA). Outrossim, foi Bolsista PIBIC/UERN (2022/2023). Ademais, é consultor de Trabalhos Científicos, realizando revisão ortográfica e escrita acadêmica. Além disso, tem habilidades em produção e correção de textos direcionados ao gênero acadêmico-científico, como Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs), Monografias, Dissertações e Artigos Científicos. Ainda dentro da área de Linguística, é especialista em Metodologia do Ensino da Língua Portuguesa e Estrangeira pela Faculdade Invest de Ciências e Tecnologia (INVEST) desde 2023. Por fim, é, atualmente, pesquisador no Grupo de Estudo do Discurso da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (GEDUERN).

  • Shirlane Priscilla Barbosa De Melo Azedo Raposo, Centro Universitário do Rio Grande do Norte (UNI-RN)

    Enfermeira formada pelo Centro Universitário do Rio Grande do Norte (UNI-RN). Especialista em Saúde da Família.Atualmente é graduanda de enfermagem pela Universidade Federal do Rio Grande do  Norte( UFRN), bolsista de iniciação científica CNPQ. Membro do Grupo de Pesquisa Incubadora de Procedimentos de Enfermagem/UFRN. Enquanto acadêmica de enfermagem, atuou como monitora da disciplina semiologia e Semiotécnica( 2010), estágio extra curricular no hospital casa de saúde são lucas( (2012), Tem experiência na área de Enfermagem com ênfase em Enfermagem Saúde da Família.

  • Miriam de Andrade Brandão, Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP

    Professora auxiliar em Medicina de Família e Comunidade na Escola Multicampi de Ciências Médicas/UFRN supervisionando a Residência em MFC e o internato em Atenção Básica em Caicó e coordenando COREME EMCM; Tutora do Programa Mais Médicos para o Brasil através da Universidade Federal de Rio Grande do Norte; Membro do Núcleo Interdisciplinar de Pesquisas em Desastres (NUPED)/UFRN. Coordenadora do telessaúde Sertão (EMCM/UFRN). É especialista em Medicina de Família e Comunidade, em dor e em preceptoria de residência Médica. Tem experiência na área de Medicina de Família e Comunidade, em gestão de programas de residência médica, experiência no tratamento de dor na Atenção Primária de Saúde, experiência docente nas áreas de Saúde Planetária, Saúde do Trabalhador, Saúde da Mulher, Criança e Adolescente. Mestre em Ciências da Saúde pela UNICAMP. Vice-presidente da Associação Paraibana de Medicina de Família e Comunidade (2018-2020) e Segunda secretária (2020-2022). Cofundadora da Residência em Medicina de Família e Comunidade do Vale do Mamanguape (PB) e Cofundadora da Associação de Médicos pela Democracia.

  • Eulampio Dantas Segundo, Escola Multicampi de Ciências Médicas da Universidade Federal do Rio Grande do Norte - EMCM/UFRN

    Possui graduação em Medicina com especialização em Psiquiatria e, atualmente, mestrando em Ciências da Saúde. É médico do Hospital Regional Wenceslau Lopes de Piancó/PB, foi Diretor Clínico e Psiquiatra do Hospital Infantil Noaldo Leite de Patos/PB, Professor e coordenador do internato em Saúde Mental do Curso de Medicina do Centro Universitário UNIFIP, atua como médico psiquiatra do CER ll Catolé do Rocha e do Municipio de Jardim do Seridó-RN, Supervisor do Mais Médicos/PB - Macrorregião 3 pela Universidade Federal de Campina Grande. Tem experiência na área de Medicina, com ênfase em Clínica Médica e Psiquiatria. Membro efetivo da SOCIEDADE BRASILEIRA DE NEUROFISIOLOGIA CLÍNICA Membro da Associação Brasileira de Psiquiatria, Associação Brasileira de Medicina de Família e Comunidade e da Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento.

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Publicado

2025-07-24

Edição

Seção

Dossiê

Como Citar

ENTRE A VIDA E A MORTE: Biopolítica, necropolítica e o perfil epidemiológico do HIV/AIDS no Brasil após o desmonte da CNAIDS (2019–2022). (2025). IF-Sophia: Revista eletrônica De investigações Filosófica, Científica E Tecnológica, 11(29), 121-152. https://revistas.ifetpr.edu.br/ifsophia/article/view/2093