VONTADE, AUTONOMIA E UNIVERSALIDADE

Um ensaio sobre a capacidade da razão prática de gerir autonomamente a conduta moral sob uma perspectiva universalista na Fundamentação da Metafísica dos Costumes de Kant

Autores

Palavras-chave:

Liberdade, Imperativo Categórico, Dever, Lei Moral, Ética Racionalista

Resumo

Como começamos a refletir e deliberar sobre nossa conduta moral, colocando-nos no lugar dos outros? Mais especificamente, de que forma gerimos, de maneira arbitrária, nossa conduta a partir de uma perspectiva que prioriza o bem de todos os seres humanos de forma universal? Com o objetivo de responder essa questão, parto da hipótese de que o conceito de razão prática, frequentemente tratado como 'vontade' na Fundamentação da Metafísica dos Costumes de Kant, pode esclarecer o desenvolvimento de nossa capacidade de refletir e gerir autonomamente nossas ações sob uma ótica que coloca todos os indivíduos em condições de igualdade, isto é, sob uma perspectiva universalista. Para atingir esse objetivo, minha investigação se desdobra nas seguintes etapas:  (i) analiso o conceito de vontade a partir dos conceitos de dever e de razão prática; (ii) analiso o conceito de autonomia a partir dos conceitos de liberdade e de lei moral; e (iii) sintetizo as duas análises precedentes e abordo com mais detalhes o conceito de Imperativo Categórico no sentido de buscar responder como o conceito de vontade pode nos ajudar a compreender o processo pelo qual passamos a direcionar nossa conduta a partir de uma perspectiva universalista. Concluo que, embora a reflexão autônoma seja o caminho para a liberdade e para uma conduta moral universal, ela ainda pode — e deve — ser socialmente cultivada.

Biografia do Autor

  • Fernanda Cardoso, Universidade Estadual de Campinas

    Atualmente é graduanda em Filosofia (Bacharelado) pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e realiza pesquisa de Iniciação científica com financiamento FAPESP sob orientação do Prof. Dr. Silvio Seno Chibeni (IFCH/UNICAMP). 

Referências

HULSHOF, Monique. O conceito de liberdade e a unidade sistemática entre razão teórica e razão prática em Kant. Cadernos de Filosofia alemã, v. 19; n. 2, pp. 27-37, 2014.

JOHNSON, R.; CURETON, A. Kant’s Moral Philosophy. Stanford Encyclopedia of Philosophy, 2004/2022.

KANT, I. Crítica da razão prática. Tradução de MONIQUE HULSHOF. Petrópolis, RJ: Vozes; Bragança Paulista, SP: Editora Universitária São Francisco, 2017a.

KANT, I. Fundamentação da Metafísica dos Costumes. Tradução: Paulo Quintela. Edições 70, 1ª ed., 2007.

KANT, I. Sobre a pedagogia. Trad. João Tiago Proença. Edições, 70, 2017b.

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Publicado

2024-12-30

Edição

Seção

Dossiê

Como Citar

VONTADE, AUTONOMIA E UNIVERSALIDADE: Um ensaio sobre a capacidade da razão prática de gerir autonomamente a conduta moral sob uma perspectiva universalista na Fundamentação da Metafísica dos Costumes de Kant. (2024). IF-Sophia: Revista eletrônica De investigações Filosófica, Científica E Tecnológica, 10(28), 114-132. https://revistas.ifetpr.edu.br/ifsophia/article/view/2104