ASSÉDIO MORAL
um estudo temporal sobre relações de poder, subjetividade e desafios institucionais no ensino superior brasileiro
Resumo
O ambiente escolar, concebido como espaço de formação, partilha de saberes e promoção da diversidade, muitas vezes converte-se em cenário de violências acadêmicas que deixam marcas profundas. Entre elas, destaca-se o assédio moral, prática historicamente presente nas relações sociais e ainda enraizada nas formas de poder que atravessam o trabalho, o estudo e a convivência institucional. No contexto da educação superior, pode se manifestar como violência indireta e normalizada, sustentada por lógicas hierárquicas e padrões culturais que reforçam desigualdades e silenciam experiências individuais de sofrimento. Este estudo tem por objetivo analisar, a partir de uma revisão integrativa da literatura, como a produção científica brasileira tem abordado o assédio moral em instituições de ensino superior no Brasil entre janeiro de 2015 e janeiro de 2025, enfatizando suas implicações nas relações sociais e nas dinâmicas institucionais. A pesquisa foi desenvolvida com abordagem qualitativa, organizada em seis etapas metodológicas, contemplando levantamento, seleção, categorização e estudo de um portfólio final de vinte e dois artigos selecionados em cinco bases de dados (Periódicos CAPES, SciELO.org, SPELL, ProQuest Platform e Oasisbr.ibict). Os resultados revelam que, apesar do aumento do interesse acadêmico sobre o tema, o assédio moral permanece como fenômeno multidimensional e persistente, sustentado por hierarquias, relações de poder e pela naturalização da violência habitual. Tais práticas comprometem a saúde, a permanência estudantil e a qualidade das relações pessoais, evidenciando a urgência de políticas institucionais que promovam ambientes acadêmicos éticos, respeitosos e seguros.
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