Tragédia e Filosofia

o saber-poder de Édipo

Autores

  • Daniel Salésio Vandresen Instituto Federal do Paraná

Palavras-chave:

Édipo Rei, Tragédia, Filosofia, Saber-Poder

Resumo

O objetivo deste texto é apresentar uma interpretação da obra Édipo Rei de Sófocles como um discurso histórico, político e jurídico. Pretende-se analisar o discurso no gênero trágico como um momento intermediário entre o distanciamento da mitologia e a constituição da razão filosófica. Segundo Foucault, Édipo coloca em ação um inquérito da verdade, ou seja, uma investigação, em que o soberano e o povo, ignorando a verdade, utilizam certas técnicas para descobrir a verdade. Atitude que testemunha o aparecimento das praticas judiciárias gregas. Deste modo, a tragédia revela a atividade de certas práticas jurídicas para descobrir a verdade na época da Grécia Clássica (séc. V e IV a. C.), momento em que se está configurando como berço da democracia. Ainda, Édipo coloca em ação a relação saber-poder própria dos sofistas da Época Clássica. Relação que é rompida com razão e constitui o grande mito Ocidental de que onde há saber não existe o poder. Enfim, esta proposta pretende tematizar o deslocamento de um discurso político, permeado por relações de saber-poder, para um discurso filosófico que busca a verdade fora das relações de poder.

Biografia do Autor

  • Daniel Salésio Vandresen, Instituto Federal do Paraná

    Doutorando em Educação pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho – UNESP/ Marília – SP, mestre em Filosofia Moderna e Contemporânea pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná – UNIOESTE/ Toledo/ PR, especialista em História do Brasil pela Universidade Paranaense – UNIPAR e graduado em Filosofia pelo Centro Universitário de Brusque – UNIFEBE. É servidor público federal, docente EBTT da disciplina de Filosofia, lotado no campus do Instituto Federal do Paraná – IFPR da cidade de Coronel Vivida/PR. 

Referências

ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco; Poética . Seleção de textos de José Américo Motta Pessanha. São Paulo: Nova Cultura, 1991. (Os Pensadores, v 2).

ARANHA, Maria L. de A.; MARTINS, Maria H. P. Filosofando: introdução à filosofia . São Paulo: Moderna, 2009.

DELEUZA, Gilles; GUATTARI, Félix. Kafka: por uma literatura menor . Rio de Janeiro: Imago Editora Ltda, 1977.

__________ . Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia . Rio de janeiro: Ed. 34, 1995, v. I.

__________ . O Anti-Édipo: capitalismo e esquizofrenia . Lisboa: Assírio & Alvim, 2004.

FOUCAULT, Michel. A verdade e as formas jurídicas . Rio de Janeiro: NAU Editora, 2005.

__________ . Do governo dos vivos: curso no Collège de France, 1979-1980: aulas 16 e 23 de janeiro de 1980 . São Paulo: Centro de Cultura Social, 2009.

__________ . Resumo dos Cursos do Collège de France (1970-1982) . Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1997.

SERRA, Ordep J. T. “Breve reflexão sobre a tragédia sofocleana Édipo Rei”. Disponível em: < http://ordepserra.files.wordpress.com/2009/01/breve-reflexao-sobre-a-tragedia-sofocleana-rei-edipo.pdf >. Acesso em: 07 mar. 2013.

SANCHES JUNIOR, Carlos Alberto. “Verdade e poder nas práticas judiciárias Gregas: de Homero aos trágicos” In: Acta Scientiarum. Human and Social Sciences . Maringá, v. 33, n. 2, p. 217-226, 2011.

ROMILLY, Jacqueline de . A Tragédia Grega . Editora UnB, 1998.

SÓFOCLES. A Trilogia Tebana: Édipo Rei / Édipo Em Colono / Antígona. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2004.

VERNANT, Jean-Pierre; VIDAL-NAQUET, Pierre. Mito e Tragédia na Grécia Antiga . São Paulo: Editora Perspectiva, 1999.

Downloads

Publicado

2015-08-05

Edição

Seção

Artigos

Como Citar

Tragédia e Filosofia: o saber-poder de Édipo. (2015). IF-Sophia: Revista eletrônica De investigações Filosófica, Científica E Tecnológica, 1(4), 224-242. https://revistas.ifetpr.edu.br/ifsophia/article/view/305