Da poesia à Filosofia
dois legados gregos para a Educação
Palavras-chave:
Poesia, Filosofia, Modelos, Educação, VirtudeResumo
Este artigo apresenta duas propostas de formação humana em diferentes épocas: a poesia, na Grécia Arcaica e a filosofia, na Grécia Antiga, em especial, a filosofia platônica. Ambas apresentam modelos antropológicos de virtude, com características próprias, adequadas aos diferentes contextos histórico-sociais em que se inserem. A poesia de Homero centra sua abordagem na valorização do herói, que abre mão de sua vida individual para lutar pela coletividade, mas se vê enredado em suas emoções, como componentes que também influenciam suas ações e que, portanto, devem ser observadas. A poesia de Hesíodo valoriza o ideal de homem adequado ao seu tempo, às condições da vida campestre, à valorização do labor, da justiça e da honra, que devem prevalecer em qualquer situação. Ambos discursos poéticos se utilizam dos mitos como elementos centrais de suas narrativas, em consonância com a influência cultural que exerciam. Em um momento posterior, surge a filosofia como fruto das diversas transformações sociais e históricas e que, através de Platão, se erige como proposta formativa superior à poesia e mais adequada ao seu tempo. A paideia platônica valoriza a importância da filosofia e tece sua relação inevitável com a política e com a educação. Na Repúublica, Platão afirma a superioridade da filosofia em detrimento da poesia e justifica seus argumentos na crítica à falácia dos mitos e na relação entre a filosofia e a busca pelo conhecimento, pela verdade. Elaborando um sistema político e social ideal, Platão elege a figura do filósofo como modelo de governante, sábio, justo, guardião da virtude. Em que pesem as diferenças históricas dessas propostas formativas, apresentamo-las, cada uma, com a devida importância que tiveram para a criação de tipos antropológicos capazes de instituírem ideais de virtude em seus tempos e de servirem como inspirações formativas para as futuras gerações.
Referências
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