Trágicos, mas alegres

um estudo sobre a afirmação do ser em Nietzsche e Clarice Lispector

Autores

  • Rafael Lucas Santos da Silva

Palavras-chave:

Clarice Lispector, Nietzsche, Coragem, Trágico, Alegria

Resumo

Evoca-se neste artigo a visão trágica do filósofo Nietzsche com propósito de abordar o romance Uma Aprendizagem ou O livro dos prazeres, da escritora Clarice Lispector. A narrativa do romance apresenta a trajetória da personagem Loreley, sob a luz peculiar da aprendizagem. Esta personagem, que sofre crises de apequenamento do próprio ser e, por isso, sofre com a existência. Assim, a personagem Loreley simboliza um descontentamento com a realidade, que a luz da proposta filosófica de Nietzsche, representa uma supressão e decadência da vontade de potência. A apredinzagem de Loreley que compõe o romance, e que toma forma a cada capítulo, é mediada por Ulisses: um professor de filosofia que trouxera acuidade reflexiva para a vida de Loreley. Assim, Loreley depreende a condição trágica da existência, que a permite elevar seu grau de potência como autoafirmação da realidade, assumindo, por conseguinte, a vitalidade da alegria.

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Publicado

2016-05-26

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Artigos

Como Citar

Trágicos, mas alegres: um estudo sobre a afirmação do ser em Nietzsche e Clarice Lispector. (2016). IF-Sophia: Revista eletrônica De investigações Filosófica, Científica E Tecnológica, 2(7), 228-246. https://revistas.ifetpr.edu.br/ifsophia/article/view/397