A concepção de homem em Marx

uma análise dos Manuscritos Econômico- Filosóficos de 1844

Autores

  • Margarida Maria Sandeski Instituto Federal do Paraná (IFPR)

Palavras-chave:

Homem, Alienação, Estranhamento, Desestranhamento, Emancipação

Resumo

Este artigo tem como objetivo apresentar a concepção de homem em Marx a partir da obra Manuscritos Econômico-Filosóficos de 1844. Para a fundamentação desse propósito, serão abordadas categorias relevantes, tais como: trabalho, propriedade privada, alienação, estranhamento, desestranhamento e emancipação. Buscaremos compreender: (1) como o homem, em meio ao trabalho alienado e estranhado, pode se alçar à qualidade de [homem] emancipado; (2) como a construção teórica de Marx contribui, por meio da proposição do trabalho como categoria fundante do ser social, para que o homem se construa e reconstrua em meio à sociedade capitalista. Inicialmente mostraremos que a estrutura fundante do sistema capitalista está na propriedade privada. O capitalista, ao utilizar-se do trabalho estranhado, potencializa o ganho do capital, faz da divisão social do trabalho um instrumento de acumulação e de exploração do trabalhador que recebe um salário miserável, e sua existência só tem sentido enquanto útil ao capitalista, isto é, ele não existe enquanto homem, mas somente como mercadoria humana. Para maximizar os ganhos do capital, a estrutura capitalista alimenta-se do trabalho do homem que, transformado em mercadoria, é vendido por um salário que garante sua sobrevivência. Desta forma, trabalho e capital se interdependem, o trabalhador objetiva-se no trabalho, sua existência é subjetivada no objeto e a dimensão humana é esvaziada. No segundo momento, partiremos do pressuposto de que a sociedade capitalista tem na propriedade privada um modo de produção que se utiliza do trabalho alienado para obter e aumentar seu capital. Assim, o homem pelas condições modernas está numa condição de alienação e gera o estranhamento do homem em relação ao seu produto do trabalho, em sua atividade, em seu ser genérico e em relação aos outros homens. A perda de si, na realização de sua atividade (trabalho) transforma sua vida em mero meio de vida, e o homem à medida que se aliena e se estranha, sua exterioridade se opõe a ele, pois faz parte de um conjunto de coerções sociais; Marx então aponta na propriedade privada a causa desse estranhamento do homem. Por fim, iremos discorrer sobre o homem, único ser que pode inscrever na própria natureza o atributo de liberdade como um vir a ser. Marx nos dá indicativos para que, por meio de uma ação prática e real, suprimir o estranhamento e construir ações emancipatórias. Pela ação revolucionária, a propriedade privada e o trabalho estranhado, que resultam no embrutecimento do homem, constituem esse caminho, além da reflexão sobre a importância da conscientização da classe trabalhadora que pode superar seu estado de estranhamento ao compreender que o mundo é produzido por ela, uma vez que o capitalismo é uma construção histórica. Logo, o homem ao requerer sua emancipação, que não ocorrerá sem uma profunda transformação social, percebe que essa ação revolucionária não é o retorno ao seu estado de natureza, mas sim que a emancipação está conectada à história e visa ao desenvolvimento das capacidades humanas.

Biografia do Autor

  • Margarida Maria Sandeski, Instituto Federal do Paraná (IFPR)

    É mestranda em Filosofia pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná – UNIOESTE, especialista em Ensino Superior pelo Centro de Ensino Superior do Amapá – CEAP e Graduada e Licenciada em Pedagogia pela Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões – URI – Campus de Frederico Westphalen-RS. É servidora pública federal, docente do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico - EBBT, no Instituto Federal do Paraná (IFPR) Campus de Umuarama/PR. É Coordenadora do Projeto de pesquisa “Conhecendo e combatendo a evasão escolar nos cursos técnicos do IFPR – Umuarama. É revisora do periódico “Rama: revista em Agronegócio e Meio Ambiente”. É revisora de Projeto de Fomento junto ao IFPR. Participa na condição de estudante dos Grupos de Pesquisa Filosofia, Ciência e Natureza na Alemanha do século XIX e no Ética e Política, ambos na UNIOESTE – Toledo/ PR.

Referências

CHAGAS, Eduardo Ferreira. “O pensamento de Marx sobre a subjetividade” In Revista Dialectus, ano 1, n. 2, p. 14-32, jan./jun. 2013.

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FROMM, Erich. Conceito marxista do homem. 7. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1979. MARX, Karl. Manuscritos econômico-filosóficos. São Paulo: Boitempo Editorial, 2010.

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<https://www.marxists.org/portugues/marx/1845/tesfeuer.htm>. Acesso em: 1 fev. 2016.

RANIERI, Jesus. A câmara escura: alienação e estranhamento em Marx. São Paulo: Boitempo, 2001.

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Publicado

2017-04-12

Edição

Seção

Artigos

Como Citar

A concepção de homem em Marx: uma análise dos Manuscritos Econômico- Filosóficos de 1844. (2017). IF-Sophia: Revista eletrônica De investigações Filosófica, Científica E Tecnológica, 3(10), 103-116. https://revistas.ifetpr.edu.br/ifsophia/article/view/531