A tradução através do olhar da Linguística Cognitiva
Palavras-chave:
Cognição, Linguagem, Estudos da TraduçãoResumo
O campo disciplinar dos Estudos da Tradução, ao ser comparando com outras áreas do conhecimento, apresenta ainda uma trajetória muito incipiente. Entretanto, é considerado um campo multidisciplinar que permite inúmeras possibilidades de pesquisas. Sabemos que a tradução é um processo de retextualização essencialmente pautado em escolhas na língua alvo a partir da língua fonte. No entanto, não podemos ver esse processo como uma simples transferência de conteúdo, mas sim como algo que envolve uma contínua construção de significado. Assim, para que se tenha um desempenho satisfatório em sua atividade, o tradutor não tem apenas que desenvolver a competência nas línguas de trabalho. A tradução e a aquisição da Competência Tradutória não envolvem somente aspectos linguísticos, mas também exigem que sejam desenvolvidas outras habilidades, conhecimentos e competências, já que demanda uma complexa gama de processos cognitivos, biológicos e sociointerativos, entre os quais se incluem conhecimentos procedimentais e declarativos, além de níveis processuais metaconscientes (esses últimos responsáveis pela solução de problemas e tomada de decisão). Cabe ressaltar que muitos desses aspectos não são apenas inerentes à tradução, pois também estão presentes e evidentes em outras facetas da cognição humana. Assim como outros fenômenos básicos característicos dos seres humanos, Langacker (2004) aponta que a linguagem deve ser compreendida enquanto uma faceta integral da cognição humana. A partir dessa constatação, temos o objetivo de analisar tanto se os mecanismos que se desenvolvem na aquisição da Competência em Tradução quanto se as evidências presentes no processo e no produto de tradução são de fato da mesma natureza dos fenômenos apontados e discutidos na Linguística Cognitiva. Além disso, objetivamos ainda relacionar esses conceitos básicos da Linguística Cognitiva ao que nos Estudos da Tradução são classificados como “mudanças” ou “erros” cometidos por tradutores.
Referências
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