A TEORIA ATOR-REDE: POSSIBILIDADE EM ESTUDOS NA EDUCAÇÃO BÁSICA
DOI:
https://doi.org/10.21575/25254774rmsh2022vol7n11752Keywords:
Teoria Ator-Rede. TAR. Latour. CTS. Educação Básica.Abstract
As relações sociais envolvem um complexo conjunto de interações entre os grupos sociais de humanos que convivem num espaço geográfico e se utilizam de diversos objetos não humanos para sua constituição e sobrevivência. Refletir sobre o fato de que atores não humanos podem interferir nas relações sociais tanto quanto humanos, podendo modificar ou transformar ambientes, faz o social ser ontologicamente definido por sua multiplicidade e diversidade de elementos e conexões, razão de estudar a sua participação nas ações humanas.Um modo de compreender as relações sociais e os usos desses objetos ocorre pela educação, que existe em diversos espaços sociais, dentre eles a escola. Considerando esse local um espaço de aprendizado social dessas relações, a Teoria Ator-Rede(TAR), uma abordagem analítica do campo da Ciência, Tecnologia e Sociedade, pode contribuir para a compreensão das relações de ubiquidade entre os sujeitos e os objetos. Trazendo Latour como uma das referências principais desses estudos, a Teoria Ator-Rede pode ensejar, encontrar e interpretar conexões no campo de estudos da educação para compreender a ação dos actantes que estão relacionados entre si por redes, negando o social como uma substância isolada. Aplicar a TAR ao contexto da Educação Básica permitirá identificar a presença de objetos técnicos na sua consolidação e como estes, mesmo que por muitas vezes tenham sua importância e influência minimizada, têm sido incorporados ao processo de ensino e aprendizagem. Evidencia-se assim que na Educação Básica existem associações de actantes humanos e não humanos que exercem forças e declinam no tempo, e que suas presenças ou ausências podem modificar redes sociotécnicas que permitem compreender algumas das relações sociais presentes nas ações que emergem do social e que estão presentes no contexto educativo de uma forma geral, razão pela qual investimentos em Educação,tanto em humanos quanto em não humanos devem ser estimulados.References
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