EPISTEMOLOGIAS DO SUL: PERSPECTIVAS INTERDISCIPLINARES DA HISTÓRIA DO PRESENTE
DOI:
https://doi.org/10.21575/25254774rmsh2022vol7n22046Keywords:
CTS. Epistemologias do Sul. História do Presente.Abstract
O presente trabalho busca, por meio de um breve levantamento teórico e bibliográfico, refletir sobre as articulações entre o campo de estudo da Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS), e das Epistemologias do Sul, a partir de um olhar da História do Presente. A inter-relação destas três vertentes objetiva, por meio da interdisciplinaridade, romper com a concepção tradicionalista e otimista da ciência e da tecnologia que foi construída a partir da perspectiva do Norte global. Compreende-se que essa tradição, inclusive na historiografia, advém de uma herança de perspectiva epistemológica hegemônica, mais notadamente europeia e norte americana. A concepção conservadora de ciência é percebida como produtora de conhecimento neutro e dogmático e consequentemente nega a relação existente entre a ciência e os aspectos sociais e culturais. Nesse mesmo sentido, observa-se que a concepção de colonialismo científico é muito mais ampla do que a processo de transferência/cópia de tecnologia uma vez que se faz presente em todo o campo científico. Isso faz com que pesquisadores latinos, em geral, estejam em constante disparidade em relação a pesquisadores de países hegemônicos, já que não é possível se enquadrar em métodos científicos que foram construídos por esses mesmos países e não se encaixam nos parâmetros econômicos, sociais e culturais dos países latino-americanos. Com isso, a construção de uma perspectiva epistemológica contra-hegemônica é fundamental para a produção de um conhecimento científico apropriado a essas realidades periféricas, negando um isomorfismo das políticas de ciência e tecnologia. Por fim, busca-se apresentar um caminho epistemológico possível por meio da articulação entre os estudos periféricos e a História do Presente. Entende-se que, por congregar a história oral e a valorização de conhecimentos tidos como não-tradicionais, a história do tempo presente constitui-se de uma alternativa possível para a afirmação do debate historiográfico e tradicional no âmbito de uma historiografia decolonial.
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