Em busca da Literatura
tendências, desprestígios e impasses para o resgate de um ensino humanizador
Palavras-chave:
Ensino de literatura, Leitura, Práticas de ensino, Formação do leitorResumo
No encalço da pós-modernidade, essa era de individualização, especialização e desconstrução, há a disseminação da desconfiança em qualquer ideia de valores humanitários totalizantes, de acordo com Vargas Llosa (2013). Ainda, como afirma o autor, atualmente são poucos os críticos literários e teóricos que consideram as grandes obras literárias, pela sua própria substância que é o fazer humano, como modos de enriquecer a visão de mundo, tornando os homens melhores e mais civilizados. Neste apagamento de valores, a palavra “crise” ronda a disciplina de literatura. Mais precisamente, houve uma redução de sua função nos currículos escolares. A figura da crise tornou-se alvo crítico sujeito a diagnose e prognose por críticos literários motivados pelo reconhecimento da carência de debate intelectual. É sob esse aspecto da situação brasileira que se tratou de interrogar os documentos oficiais regidos pelo MEC, como os Parâmetros Curriculares Nacionais – Ensino Médio (PCNEM) e os Parâmetros Curriculares Nacionais + Ensino Médio (PCN+), bem como as Diretrizes Curriculares da Língua Portuguesa do Estado do Paraná, para identificar como qualificam e conceituam o ensino de literatura. Mas em que se baseia essa importância concedida à literatura? As respostas, sempre à luz de interpretações de teóricos como: Antônio Cândido (2006; 2008), Leyla Perrone- Moisés (2000; 2006) e Mario Vargas Llosa (2009), têm por hipótese que não se pode ensinar literatura desconsiderando seu estatuto de representação da humanidade, no sentido de que a disciplina de literatura volte a ser ensino humanizador. Através da leitura crítica das abordagens conceituais nestes três documentos oficiais, confrontadas com os conceitos e funções preconizadas pelos teóricos, buscou-se legitimar a hipótese promovida nesse artigo. Com efeito, sendo a disciplina de literatura rigorosamente interdisciplinar, encontra-se possiblidades para obter uma perspectiva e uma formação do estudante que ele não encontrará integralmente no estudo de outras disciplinas.
Referências
Parâmetros Curriculares Nacionais. Linguagens, Códigos e Suas Tecnologias. Ministério da Educação, 2000. Disponível em: < http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/14_24.pdf>. Acesso em: 15 de junho de 2017.
Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN+): Orientações Educacionais Complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais. Linguagens, Códigos e Suas Tecnologias. Ministério da Educação, 2002. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/linguagens02.pdf . Acesso em: 15 de junho de 2017.
Orientações curriculares para o ensino médio. Linguagens, Códigos e Suas Tecnologias. Ministério da Educação, 2006. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/book_volume_01_internet.pdf . Acesso em: 15 de junho de 2017.
Leis de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Seção IV Do Ensino Médio.
http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/ldb.pdf . Acesso em: 15 de junho de 2017. Diretrizes Curriculares de Língua Portuguesa do Estado do Paraná. Curitiba: SEED, 2008. Disponível em:
<http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/diretrizes/dce_port.pdf>. Acesso em 28 de junho de 2017.
BAUMAN, ZYGMUNT. Modernidade Líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2001. CÂNDIDO, ANTÔNIO. Textos de Intervenção. São Paulo: Ed. 34, 2006.
_____. Vários Escritos. Rio de Janeiro: Ouro sobre Azul, 2008. LARROSA, JORGE. La experiência de la lectura. México: FCE, 2003.
LLOSA, MARIO VARGAS. Em Defesa do romance. In: A Cultura do Romance.
MORETTI, Franco (Org). São Paulo: Cosac Naify, 2009.
MERQUIOR, JOSÉ QUILHERME. De Praga a Paris: Uma crítica do estruturalismo e do pensamento pós-estruturalista. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1991.
PERRONE-MOISÉS, LEYLA. Inútil Poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.
_____. Literatura para Todos. In: Literatura e Sociedade. São Paulo, 2006. SARTRE, JEAN-PAUL. QUE É A LITERATURA? São Paulo: Ática, 1989.
SILVA, VÍTOR M. DE AGUIAR. Teses sobre o ensino do texto literário na aula de Português. In: Diacrítica: Revista do Centro de Estudos Humanísticos da Universidade do Minho. Portugal, 1998a.
_____. As relações entre a Teoria da Literatura e a Didáctica da Literatura: filtros, máscaras e torniquetes. In: Diacrítica: Revista do Centro de Estudos Humanísticos da Universidade do Minho. Portugal, 1998b.
TRILLING, LIONEL. Literatura e Sociedade. Rio de Janeiro: Lidador, 1965.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Direitos autorais (c) 2018 Larisse Marques Domingues, Rafael Lucas Santos da Silva

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.
Todos os trabalhos que forem aceitos para publicação, após o devido processo avaliativo, serão publicados sob uma licença Creative Commons, na modalidade Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International Public License (CC BY-NC-ND 4.0). Esta licença permite que qualquer pessoa copie e distribua a obra total e derivadas criadas a partir dela, desde que seja dado crédito (atribuição) ao autor / à autora / aos autores / às autoras.
