A FENOMENOLOGIA DE MERLEAU-PONTY E A EDUCAÇÃO
a indisciplina da filosofia e a impossibilidade de seu ensino
Palavras-chave:
Corporeidade, Criação, Escola, Filosofar, OntologiaResumo
O texto aborda a filosofia, o seu ensino e a educação. Neste sentido problematiza a possibilidade de disciplinar e ensinar filosofia enquanto mais um conteúdo disciplinar, compreendendo que é possível, apenas, ensinar a filosofar, tendo como fundamentação teórica para tal a fenomenologia, mais precisamente a fenomenologia existencialista de Maurice Merleau-Ponty em seus textos, Elogio da Filosofia e Fenomenologia da Percepção. Além disso, busca uma conexão com o estruturalismo de Gilles Deleuze, mais precisamente no seu pensamento sobre o que é a Filosofia e como se dá a sua atividade na vida das pessoas, no que é possível dialogar com essa fenomenologia existencialista. Sobretudo enquanto uma perspectiva de pensamento em ação onde o corpo é componente determinante de um pensamento e de uma atitude filosófica. O artigo aborda ainda o conceito fenomenológico de corporeidade e de “sujeito incorporado”, problematizando e questionando a possibilidade de um ensino de filosofia único, disciplinado e dogmatizado, baseado apenas em epistemologias, com pedagogia tecnicista, componentes curriculares fragmentados e historicizados. Por se voltar para si, ser algo em construção, em processo e um pensamento que se faz renovado sempre a filosofia é o lócus do questionamento, da indisciplina, da desconfiança, da criação e da singularidade, sendo o interesse e não a verdade sua busca mais expressiva. Contudo, ao expressar esse pensamento de indisciplinaridade da filosofia não se faz a defesa da saída da mesma da BNCC e do currículo formal no ensino médio, pelo contrário, pretende que ela seja ampliada, se tornando obrigatória também para os estudantes nos anos finais do ensino fundamental da escola pública. Em sua formalidade como disciplina transmitida, se indica a opção por uma práxis educativa baseada sobretudo em uma ontologia, numa relação que se estabelece entre sentido e significado dos temas e questões abordadas e vivenciadas no ambiente escolar, onde a facticidade torna impossível para o ser humano estar no mundo sem tomar uma posição frente às coisas e às pessoas e que o impera a recriá-lo, entendendo a vida enquanto conhecimento, abertura e comunhão.
Referências
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