FILOSOFICAMENTE, POR QUE A TERRA NÃO É PLANA?
Palavras-chave:
Geociência, Astronomia, EsferaResumo
O presente trabalho apresenta duas seções: a primeira sobre a evolução histórica dos conceitos filosóficos, teológicos e das ciências da natureza sobre o universo que implicaram em consequências sobre as visões da geometria da Terra; na segunda seção demonstra-se tecnicamente como que os argumentos são irrefutáveis a favor daqueles que defenderam a forma esférica para o planeta. Dito isso, ver-se-á na primeira parte as explicações dadas pelos antigos pensadores, desde a época dos filósofos gregos até o período da revolução científica do século XVII, atingindo seu apogeu em Isaac Newton. O estudo da Terra e sua forma está intrinsecamente associado ao estudo do Céu e aqui entende-se Céu como toda a abóboda celeste, onde se alojam as galáxias, estrelas e outros planetas. Um dos motivos dessa associação foi, por exemplo, a explicação de Aristóteles para a sombra que a Terra projetava na Lua quando se colocava entre o satélite e o Sol. Como tinha a forma circular, a Terra deveria ser esférica. Entretanto, por mais que tenha sido considerado um excelente argumento na época, não foi o bastante para impedir de se envolver a forma da Terra em mitologia no período conhecido como período medieval. Somente no início da Era Moderna, novos estudos e instrumentos de navegação trouxeram outros paradigmas para o formato da Terra, muito pela necessidade cartográfica e dominação de novos territórios. Newton, apoiado na nova escola que surgia, aprimorou e criou os métodos matemáticos necessários para a filosofia natural, com os quais se demonstra que a Terra deve ter formato esférico. Na segunda seção, todos os argumentos que foram usados para o fato de se aceitar a Terra esférica são demonstrados. A medida da circunferência de um meridiano terrestre feita por Eratóstenes no século III a.C., o deslocamento das constelações apresentado por Aristóteles, o princípio da Inércia esboçado por Galileu são alguns dos fatores que, isoladamente ou contribuintes de outras teorias, conceberam cientificamente a Terra como uma esfera ao redor do Sol.
Referências
ALBUQUERQUE, B.P. As relações entre o homem e a natureza e a crise socioambiental. Rio de Janeiro, RJ. Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), 2007.
ALMEIDA, P.A.F. Os gauleses em César, Tito Lívio e Plínio, O Velho: Sobre a retórica da representação do outro e a construção do si. UFMG. Tese. Disponível em https://repositorio.ufmg.br/bitstream/1843/LETR-B57JX8/1/priscilla_adriane_ferreira_almeida_tese.pdf. Acessado em 03.mai.2020.
BARROS, J.A. Passagens de Antiguidade Romana ao Ocidente Medieval: leituras historiográficas de um período limítrofe. História, vol.28 no.1, Franca, 2009.
BARROS-PEREIRA, H.A. Esferas de Aristóteles, círculos de Ptolomeu e instrumentalismo de Duhem. Rev. Bras. Ensino Fís. vol.33 no.2. São Paulo Apr./June 2011.
BIRZNEK, F.C. A evolução das teorias cosmológicas: da visão do universo dos povos antigos até a teoria do Big Bang. Trabalho de Conclusão de Curso, UFPR, 2015, 100 p.
BONGIOVANNI, V. As duas maiores contribuições de Eudoxo de Cnido: “A teoria das proporções e o método de exaustão”. Revista Ibero americana de educacíon matemática, número 2, pag. 91-110, 2005. Disponível em http://www.fisem.org/www/union/revistas/2005/2/Union_002_008.pdf. Acessado em 17.Jul.2020.
CALAFATE, F.Eratóstenes: o primeiro a medir a circunferência da Terra. A Nova Democracia, ano xvii, nº 224 - 2ª quinzena de junho e 1ª de julho de 2019. Disponível em https://anovademocracia.com.br/no-224/11259-eratostenes-o-primeiro-a-medir-a-circunferencia-da-terra. Acessado em 16.mai.2020.
CAMPOS, J.A.S. Introdução às Ciências Físicas 1. v. 3 / Jose Adolfo S. de Campos. - 4. ed. = Rio de Janeiro: Fundação CECIERJ, 2008.
FERRIS, T. O Despertar da Via Láctea: Uma História da Astronomia. 2ª Edição. Rio de Janeiro: Editora Campus, 1990.
GALILEI, G. Dialogues Concerning Two New Sciences. New York: Dover Publications, 2001.
NUSSENZVEIG, H.M. Curso de Física Básica, Volume 1: Mecânica. 4ª Edição. São Paulo: Editora Blucher, 2002.
PAULA, H.F.A esfericidade da Terra. Disponível em file:///C:/Users/asus/Downloads/02_A%20esfericidade%20da%20Terra.pdf. Acessado em 22.mai.2020.
OLIVEIRA, D.A.U. As grandes navegações: aspectos matemáticos de alguns instrumentos náuticos. Dissertação. UFPB, João Pessoa, 70 p., 2017.
RIVAL, M. Os Grandes Experimentos Científicos. 1ª Edição. Rio de Janeiro: Editora Zahar, 1997.
ROSA, C.A.P. HISTÓRIA DA CIÊNCIA A Ciência Moderna. Volume II - Tomo I. Fundação UnB, 412 p. Brasília, 2012.
ROSA, R. INTRODUÇÃO AO GEOPROCESSAMENTO. UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA. 142 p. 2013.
ROCHA, J.M. A descoberta da Teoria da Gravitação Universal: Uma análise desde Aristóteles aos Principia Monografia apresentada no instituto de Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de licenciado em Física. UFRJ, 52, 2015.
SARAIVA, M.F.O.; OLIVEIRA FILHO, K.S.; MÜLLER, A.M. Movimento dos Planetas - o Modelo Heliocêntrico de Copérnico. Disponível em http://www.if.ufrgs.br/fis02001/aulas/Aula5-132.pdf. Acessado em 18.jul.2020.
SOUZA, L.D.; GARCIA, J.M. D. João II vs. Colombo: Duas estratégias divergentes na busca das Índias. Vila do Conde. REVISTA ANGELUS NOVUS - no 4 - dezembro de 2012. Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho, 2012.
SOUZA, T.O.M.O DESCOBRIMENTO DO BRASIL - ESTUDO CRITICO - de acordo com a documentação historico-cartografica e a nautica. BRASILIANA, Vol. 253, 1946. Disponível em https://bdor.sibi.ufrj.br/bitstream/doc/339/1/253%20PDF%20-%20OCR%20-%20RED.pdf. Acessado em 17.maio.2020.
TAYLOR, T. The treatises of Aristotle, on the heavens, on generation & corruption, and on meteors (Somerset, England: The Prometheus Trust, 2004, 1807).
VELÁSQUEZ-TORIBIO, A.M.; OLIVEIRA, M.V. Primeiro modelo matemático da cosmologia: as esferas concêntricas de eudoxo. Rev. Bras. Ensino Fís. vol. 41 nº 2 São Paulo 2019 Epub Oct 22, 2018.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Direitos autorais (c) 2020 George André Pacheco Casanova, Frederico Fonseca da Silva

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.
Todos os trabalhos que forem aceitos para publicação, após o devido processo avaliativo, serão publicados sob uma licença Creative Commons, na modalidade Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International Public License (CC BY-NC-ND 4.0). Esta licença permite que qualquer pessoa copie e distribua a obra total e derivadas criadas a partir dela, desde que seja dado crédito (atribuição) ao autor / à autora / aos autores / às autoras.
