ASSOCIATIVISMO AMBIENTAL COMO RESPOSTA À SUSTENTABILIDADE E COMO CONTRIBUIÇÃO EDUCATIVA/INTERDISCIPLINAR NO ÂMBITO DA ECOLOGIA URBANA
Palavras-chave:
ONGs, Ambientalismo, Cultura-educação, Ecologia, UrbanidadesResumo
Este artigo discute, de forma sucinta, o Associativismo Ambiental, compreendido como o ajuntamento de pessoas, em forma de coletivos, para o questionamento, proposição de novas metodologias, práticas/processos educativos (alternativos) que sejam capazes de alçar racionalidades e saberes ambientais que possam ser compreendidos como respostas à sustentabilidade. Embora este termo tenha sido recorrentemente considerado “esvaziado”, por sua apropriação equivocada por diversos setores da sociedade, sobretudo os empresariais, acredita-se que discuti-lo, inclusive no âmbito da Agenda 2030 ainda é um importante passo para um futuro mais digno para a humanidade, os ecossistemas e todas as outras espécies, muitas das quais ameaçadas de extinção. Entende-se que diante dos severos cataclismos ambientais e socioambientais avolumados nas recentes décadas, apenas as alternativas propostas pelos governos, de modo unilateral, não têm surtido o efeito esperado e que o Associativismo Ambiental, em diversas partes do globo, tem conseguido resultados significativos, ainda que com diferentes metodologias, ideologias e práxis sociais. Neste contexto, a Ecologia Urbana, ciência relativamente nova, e necessariamente interdisciplinar, pode encontrar importantes mecanismos de estudo e aplicação para o desenvolvimento de cidades mais ecologicamente equilibradas e justas a partir do olhar e do contato com o Associativismo Ambiental, representado por organizações de pessoas com os propósitos já mencionados. Por isso, defende-se que o Associativismo Ambiental, além de resposta à sustentabilidade, figura como importante contribuição para a Ecologia Urbana. Metodologicamente, acessou-se o site de três ONGs que podem ser compreendidas como associações livres de pessoas de cunho ambiental e socioambiental para compreender um pouco do universo do Associativismo ambiental. Como quadro teórico basilar, recorreu-se a estudiosos como Morin (2000), Capra (2009) (2005), Gadotti (2000), Guatarri (1989), Horkheimer (1976), Foucault (1994), Leff (2005), Mauss (1923), Hararari (2015) dentre outros. Como resultados, é possível dizer que a dinâmica de ONGs, coletivos de pessoas, que buscam e são construídas a partir dos anseios ambientais, ecológicos, ecosóficos, figuram como importantes estímulos para a manutenção da esperança por realidades futuras mais sustentáveis e que os governos, em todo o mundo, precisam adotar políticas de maior contato e valorização dessas organizações de pessoas, que têm figurado como verdadeiras trincheiras de resistência em praticamente todos os continentes do planeta.
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